17 de março de 2007

METENDO A MÃO NA CUMBUCA



Rodney Garcia

SOBRE A MALANDRAGEM NAS ASSESSORIAS PEDAGÓGICAS DE MATO, O PROFESSOR RODNEI GARCIA COMENTA O ASSUNTO ESPECIALMENTE COM OS WEBLEITORES DO BLOG

Algo que aprendi ao longo da vida é que macaco velho não mete a mão em cumbuca. Parece que o adágio popular não se aplica a algumas pessoas que ocupam cargos públicos, até, então, de livre nomeação. Basta mudar as regras para o preenchimento de cargos de função gratificada e/ou comissionado, que os princípios "da legalidade, impessoalidade, publicidade e eficiência (FC 88, art. 37)" são ressignificados.

Neste caso, metendo na cumbuca as informações constantes no "edital para teste seletivo de provimento para cargo de Assessor em todas as assessorias pedagógicas de Mato Grosso," conforme informações constantes no blog DIÁRIO DE TANGARÁ.
Isso sim que é meter a mão na cumbuca!!! Ainda mais sabendo que nela há leite e mel!! Muito mel. Não chega a ser o pote de ouro no final do arco-íris, mas, serve. E nem é o pode de ouro protegido pelos duendes da floresta encantada. Neste caso, a assessoria pedagógica (a cumbuca) é melhor que sala de aula.

Já imaginou enfrentar até quarenta crianças, a semana inteira. Trabalhar trinta horas semanais, se apenas for professor do sistema estadual, e receber menos de três salários mínimos. Seria, no mínimo, estupidez abandonar o ar-condicionado, a áurea de representante local da SEDUC. É! O poder tem dessas coisas: pode fazer a diferença. Muita diferença. Ainda mais tratando de, efetivamente, não precisar ir para sala de aula. Dizem que a gratificação para a função de

Assessor é agradável. $$$!

Fazer gestão é importante. Gestão! Gerenciamento de políticas educacionais, diretores, professores e técnicos fazem nas unidades escolares. Salienta-se que, efetivamente, a gestão não desenvolveu mecanismos políticos, financeiros, pedagógicos e tecnológicos necessários para arrancar do papel aquilo que foi preconizado como sendo metas da educação pública básica. E nem parte dos atuais assessores pedagógicos trazem sobre si os requisitos necessários para, efetivamente, assessorar as unidades escolares.

Agora, ser assessor pedagógico e, politicamente, não intervir junto aos gestores para que as condições de ensino aconteçam é, no mínimo, saber que tem uma cascavel na cumbuca e nela meter as mãos, os pés e, não contente, retirar o ofídio da cumbuca e levá-lo pra casa, guardá-lo embaixo do tapete.

É isso mesmo!?! Vejamos, por outro lado, talvez, os dados das condições de aprendizagem, identificados pela Prova Brasil (INEP), Escala de Língua Portuguesa, em 2006, justifique as ações de muitos assessores pedagógicos no Estado de Mato Grosso. Nessa avaliação, a partir de textos curtos, como contos infantis, histórias em quadrinhos e convites, os alunos da 4ª e da 8ª séries NÃO CONSEGUIRAM:

· Localizar informações explícitas que completam literalmente o enunciado da questão;

· Inferir informações implícitas;

· Reconhecer elementos como o personagem principal;

· Interpretar o texto com auxílio de elementos não-verbais;

· Identificar a finalidade do texto;

· Estabelecer relação de causa e conseqüência, em textos verbais e não-verbais; e

· Conhecer expressões próprias da linguagem coloquial.

Talvez, (se confirmado o fato de que, de fato, não deram publicidade ao edital), possivelmente, quem sabe, esses assessores acreditem que, investidos da função de representantes locais da SEDUC, possam mudar ou fazer algo para melhorar as condições de ensino da educação pública básica de Mato Grosso. Embora, já dizia o adágio popular, tudo que começa errado, tende a dar errado. Ou, como diriam os tropeiros, tende a dar com os burros n’água!

Técnico em Gestão Educacional. Licenciado em Letras. Poeta. Assessor em assuntos educacionais e articulista do site Tangará Repórter. Email: rdngarcia@gmail.com.