17 de março de 2008

Prisão de meninas

A detenção de uma menina de 12 anos na cadeia pública de Sidrolândia (MS) é mais um caso vergonhoso que mostra como muitas autoridades policiais brasileiras estão despreparadas para a função que exercem.

Depois de uma semana presa numa cela na companhia de duas mulheres, a garota foi solta hoje um dia após o assunto virá escândalo nacional.

Escândalo na mesma linha de agressão contra menores e adolescentes testemunhado na cidade de Bodoquena (MS), a 265 quilômetros de Campo Grande.

Desta feita, uma jovem de 15 anos ficou seis meses numa cela comum da Delegacia de Polícia Civil do município depois de presa pela PRF(Polícia Rodoviária Federal), em companhia da irmã de 19 anos, com quem foi encontrado 1,9 kg de cocaína.

Porém, este ano, o caso da jovem L.B., de 15 anos, encarcerada junto com cerca de 20 homens no Pará parece ter sido o mais grabe. O fato foi chamado de "tortura sistemática".

Ela ficou 24 dias presa, torturada e violentada com os presos com quem dividia a cela.

A repercussão desse caso no exterior provocou o representante da Anistia Internacional para o Brasil, Tim Cahill.

"Não se sabe se [o mais grave] é o fato de o Estado ser tão violento a ponto de deixar uma menina nessas condições, ou de manter uma [provável] menor cercada por homens, ou as violências que ela sofreu. Ela foi estuprada por um mês; é impossível que o Estado não soubesse", disse.

Honestemente, não dá mais pra gente ficar testemunhando dia-a-dia fatos dessa natureza. Algo tem que ser feito de imediato para coibir tais abusos. Quem se digna?

Entre na campanha pelo fim do saco plástico

Você já reparou com quantas sacolas plásticas a gente volta pra casa depois uma ida ao supermercado, à padaria, ao shopping? Elas são um problema ambiental muito sério.

Gente fazendo compras com sacola de pano ainda existe. Em Joinville, as padarias dão desconto para quem dispensa sacola de plástico. Vale para o pão e para o leite também.

A idéia de baixar o consumo de sacos plásticos surgiu em uma escola. Foi sugestão das crianças preocupadas com o meio ambiente e assustadas com o que viram numa visita ao aterro sanitário da cidade.

“Aquele cheiro ruim, aquele monte de sacola de plástico. Tem muita, mas muita sacola de plástico”, diz Letícia de Souza, de 10 anos.

É muita sacola mesmo. Em um mês, nós, brasileiros, usamos um bilhão de sacos plásticos. E um bilhão por mês significa que, do começo desta reportagem até agora, foram consumidos mais de 23 mil saquinhos só no Brasil. E o pior: o Brasil parece assistir passivo ao desastre, enquanto países já reagem.

O governo chinês quer mudar a imagem de um dos países mais poluidores do mundo. O primeiro vilão a ser derrotado já foi escolhido: os sacos plásticos.

A partir de 1º de junho, lojas e supermercados não poderão mais oferecer sacos plásticos gratuitamente. E fica proibido também fabricar, vender e usar sacolas plásticas muito finas, aquelas que de tão fininhas não podem ser recicladas. A decisão radical surpreendeu. Mas a China está apenas seguindo uma tendência internacional.

Em 2002, a Irlanda passou a taxar as sacolas plásticas. Em um ano, o uso caiu mais de 90%. Na Alemanha e na França, só recebe sacola plástica na loja quem paga por ela. Na África, Ruanda, Quênia, Tanzânia e África do Sul, proibiram o uso de sacolinhas plásticas.

Enquanto isso, no Brasil...

“Você vai na loja de vídeo, eles colocam dentro do saco plástico. O saco do supermercado não é lá grandes coisas. E eles colocam dois sacos de supermercado”, indaga a atriz Gláucia Rodrigues.

O Fantástico propôs uma tarefa para Dona Gláucia, Seu Luiz e os três filhos: guardar, durante uma semana, todo saco plástico que recebessem na rua. “Agora, para onde vai isso?”, pergunta Dona Gláucia.

Aí é que está problema! Só 20% dos plásticos são reciclados no Brasil. O resto? Bom, o resto está aí, poluindo os mares e matando peixes, boiando nos rios e entupindo bueiros. Acredita-se que o plástico leve até dois séculos ou mais para se decompor.

“O lixo que a gente produz fica aqui. Não evapora, não vai para Marte, não vai para a Lua. Fica aqui. E se não é degradável, é uma tragédia”, comenta Gláucia.
Plástico biodegradável? O que é isso?

“É um produto que se degrada por ação de microorganismos vivos e, portanto, ele deixa de existir para se transformar em moléculas menores que não prejudicam o meio ambiente”, explica a pesquisadora Maria Filomena Rodrigues, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo.
No Brasil, já existe tecnologia para a fabricação de plástico biodegradável. Existe até uma usina fabricando matéria-prima, no município de Serrana, pertinho de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Lá, a cana vira açúcar, e o açúcar vira plástico biodegradável.

“Se for colocado no lixo, em até 180 dias ele desaparece totalmente, se transformando em gás carbônico e água”, garante o fabricante de plástico biodegradável, Sylvio Ortega.

Mas, por enquanto, tudo o que a usina produz vai para o exterior. No Brasil, ainda usamos o velho plástico, aquele feito a partir do petróleo, que leva séculos para se degradar.

Alguns anos atrás, apareceu no mercado aquilo que parecia ser a solução do planeta. Você já ouviu falar no chamado plástico oxibiodegradável? Ele também vem do petróleo. Em menos de um ano, o plástico exposto ao sol vira pó. Mas logo surgiram críticas, dizendo que o produto não se biodegrada. Ele apenas faz o plástico virar pó – um pó cheio de metais pesados.

“Esta é uma grande falácia, um grande engodo. Quando você fala em biodegradável, você pensa que se desmancha no ar, desaparece na natureza. Isso não é verdade”, afirma o representante da indústria de plásticos, Francisco Assis.

“Os laudos comprovam que é um produto que não agride o meio ambiente, pelo contrário, ele veio para ajudar a diminuir os resíduos produzidos no meio ambiente”, comenta a fabricante de plástico oxibiodegradável, Flávia Morandini.

No Rio de Janeiro, a família de Dona Gláucia cumpriu a tarefa que o Fantástico sugeriu: “Em praticamente uma semana, a gente juntou 84 sacos plásticos. Dá uma média de mais de dez por dia”, calcula a atriz.

Nos cinco minutos que durou a reportagem, 115 mil sacolas plásticas foram consumidas no Brasil.

Texto do Fantástico

NOTA DO BLOG: Nossos sites de notícias, Tangará Repórter e Diário de Tangará, Jornal da Comunidade e programa "Só forró" (propagador da cultura nordestina em Mato Grosso) entram na campanha a partir desta segunda-feira.

Real reality show

A novidade da hora dos telejornais é a divulgação de brigas, assaltos e outros flagrantes das câmeras que monitoram a vida da população nas cidades brasileiras.

É a chegada da sociedade apocalíptica preconizada por George Orwell no romance 1984 que falava do “Super-Estado” apelidado de “Grande Irmão” (Big Brother em inglês) que, para quem não sabe, inspirou o programa de humanos vigiados por câmeras de TV que faz tanto sucesso no Brasil.

Em tempo: Alguns pontos da área central de Tangará da Serra também passarão a ser monitorados por câmeras dentro dos próximos meses. São os novos tempos.