28 de março de 2011

FICHA LIMPA: Metade dos políticos não conseguirá vagas

Débora Zampier
Brasília-ABr

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que liberou a candidatura de políticos barrados pela Lei da Ficha Limpa em 2010 deverá beneficiar, de imediato, vários dos 32 candidatos que estão com recurso tramitando na Corte. Entretanto, para quase metade deles, a decisão não significa a obtenção do cargo pleiteado, já que não obtiveram bom desempenho nas urnas e não seriam eleitos de qualquer forma. Nesses casos, o resultado não seria favorável mesmo com a recontagem de votos da coligação ou do partido e o novo cálculo do quociente eleitoral.

Entre os 15 políticos nesta situação, chama a atenção o caso de Francisco Vagner de Santana Amorim, o Deda, do PP do Acre. O ex-prefeito de Rodrigues Alves, município com cerca de 13 mil habitantes, foi enquadrado na lei por ter sido condenado pelo Tribunal de Contas do estado. Menos famoso que o seu xará Marcelo Déda, que se reelegeu para o governo de Sergipe, o Deda do Acre obteve apenas 17 votos para uma vaga na Assembleia Legislativa.

Para refletir: ESTRATÉGIA DO DIABO

Numa caverna escura, onde a claridade nunca surgira, vivia um homem muito simples que implorava o socorro divino. Declarava-se o mais infeliz dos homens, reclamava do ambiente fétido em que se encontrava. O ar pestilento o sufocava. Pedia a Deus uma porta libertadora que o conduzisse ao convívio do dia claro.

Suas súplicas, entre a revolta e a amargura, foram percebidas por Deus que, profundamente compadecido, enviou-lhe a fé. A sublime virtude exortou-o a confiar no futuro e a persistir na oração. O infeliz consolou-se, mas logo em seguida, voltou a lamuriar-se. Queria fugir, desistir, abandonar a vida.

Deus mandou-lhe a esperança. A emissária divina afagou-lhe a fronte e falou-lhe da eternidade da vida, buscando secar-lhe o pranto desesperado. Rogou-lhe calma, resignação e fortaleza. O pobre homem pareceu melhorar, mas, decorrido algum tempo, voltou à lamentação.

Comovido, o senhor da vida determinou que a caridade o procurasse. A nova mensageira acariciou-o e alimentou-o. Endereçou-lhe palavras de carinho e amparou-o, como se fosse abnegada mãe. Todavia, o infeliz persistia gritando, revoltado.

Foi então que Deus enviou-lhe a verdade.

Quando a portadora do esclarecimento se fez sentir na forma de uma grande luz, o infortunado, pela primeira vez na vida, viu-se tal qual era e apavorou-se. Seu corpo estava coberto de chagas, da cabeça aos pés. Agora, somente agora, ele percebia, espantado, que ele mesmo era o responsável pela atmosfera intolerável em que vivia. Tremeu cambaleante e fugiu apavorado, em busca de outra furna onde conseguisse esconder a própria miséria que só então reconhecia em si mesmo.

Assim ocorre com a maioria dos homens, quando a verdade brilha diante deles, revelando-lhes a real condição em que se encontram, costumam fugir apressados, em busca de esconderijos, nos quais possam cultivar a ilusão.