17 de abril de 2012

PT tenta adiar CPI do Cachoeira por medo de reavivar escândalo do Mensalão

O temor de que as investigações sobre o caso Carlinhos Cachoeira possam respingar em membros do partido ou do Palácio do Planalto fez integrantes do PT começarem a trabalhar pelo adiamento da CPI no Congresso.


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Petistas dizem querer esperar o retorno do presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), para permitir que a comissão saia do papel. Sarney está internado em São Paulo após se submeter a cateterismo e angioplastia com a colocação de stent. 

Na sua ausência, a deputada Rose de Freitas (PMDB-ES) poderia convocar uma sessão do Congresso para instalar a CPI por ser a primeira vice-presidente do Legislativo. Mas a estratégia é convencê-la a não instalar. 

"O que terá de ser feito vai ser feito. Mas vou ouvir os líderes primeiro. Se quiserem a instalação imediata da comissão, eu vou fazer", disse ela. 

Integrantes da base de apoio da presidente Dilma Rousseff, temerosos do alcance da comissão, apostam que, com o adiamento, o clima pró-CPI pode esfriar. 

No Rio, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (PT), negou que Dilma esteja insatisfeita com a criação da CPI, como tem sido ventilado. 

Estratégia
Apesar de defender o retardamento das investigações, o PT nega intenção de barrar a CPI. A ordem é ganhar tempo para traçar um plano decidir a composição da comissão. 

Com o adiamento, o partido também pode postergar a definição do relator da CPI. 

Entre os cotados estão Odair Cunha (MG), Carlos Zaratini (SP), Paulo Teixeira (SP) e Henrique Fontana (RS). A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), responsável pela interlocução do governo com o Congresso, participa ativamente da escolha do nome. 

O objetivo do Planalto é conter danos colaterais durante as investigações. 

Os petistas querem restringir as investigações ao período 2009-2011 para evitar que o escândalo do mensalão, que veio à tona em 2005, volte a ser tratado em uma CPI. 

Outra determinação é focar as ligações do empresário Carlos Cachoeira com membros da oposição. 

Líder do PT na Câmara, Jilmar Tato (SP) defendeu a convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), mas disse não ser "razoável" ouvir o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) --ambos suspeitos de ligação com Cachoeira. 

E disse não ser necessário convocar o ex-ministro José Dirceu. Em 2004 foi divulgado vídeo em que Waldomiro Diniz, então assessor de Dirceu, cobrava propina de Cachoeira. Folha

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