7 de maio de 2012



Andréa Haddad

     Reportagem da revista Época desta semana revela que uma das linhas de investigação da CPI do Cachoeira apura o suposto envolvimento de políticos de Mato Grosso, Goiás, Pará e Amazonas com o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira, que defendia os interesses da Delta. Os quatro estados aderiram a uma Ata de Registro de Preços da secretaria da Fazenda de Goiás, obtida pela construtora em 2009.
     A Delta tem três contratos com o Governo de Mato Grosso, no total de R$ 20 milhões, para a locação de veículos disponibilizados à secretaria de Estado de Segurança Pública, comandada por Diógenes Curado.
     Depois que a CGU considerou a Delta inidônia para contratar com o poder público, o governador Silval Barbosa (PMDB) solicitou ao TCE a realização de auditoria para apurar se há irregularidades. À reportagem da Época, a assessoria do peemedebista informou que o Estado optou por descartar o processo licitatório e aderir à ata goiana por ser mais barato. Os contratos da construtora com o governo de Mato Grosso e Amazonas são investigados pelo MPE. Os veículos alugados por meio da Delta foram disponibilizados à Polícia Militar.

Pagot e Wellington "trombam" desde 2004; presidente do PR se vê acuado


As brigas internas entre o ex-diretor-geral do Dnit Luiz Antonio Pagot e o deputado federal Wellington Fagundes acontecem desde 2004. Na época, Wellington, então candidato a prefeito de Rondonópolis, passou a maior parte da campanha se explicando sobre um dossiê divulgado pelo MCCE, que o acusou de suposto enriquecimento ilícito. Nos bastidores, Wellington comentou que tudo não passou de uma armação de Pagot.
   Em 2008, quando seu nome era cotado para disputar o Senado, o republicano se viu numa nova “saia-justa”. Desta vez, Luiz Antonio Vedoin citou o deputado, assim como Serys Marly, de terem participação na Máfia das Sanguessugas. Novamente, Wellington apontou Pagot como o autor das denúncias.
    Agora que Wellington estava avaliando a possibilidade de ir para a Secopa, Pagot joga "água fria" ao apontar o parlamentar como lobista da construtora Delta. Esta foi a primeira vez que o ex-diretor-geral do Dnit fez acusações públicas contra o presidente regional do PR. Já Pagot, atribuí ao deputado federal uma armação feita com o contraventor Carlinhos Cachoeira, que culminou na sua queda.
   Mesmo sem Pagot no PR, Wellington vive uma situação tanto na presidência da sigla, quanto na Câmara Federal. Ele terá que dar explicações à CPMI sobre ligação que  tem com a Delta e porque não consegue manter o PR como grande legenda no Estado. De quebra, se vê isolado pelo grupo ligado ao senador Blairo Maggi, padrinho de Pagot.

Patrícia Sanches


O fim da farsa de Pagot


Ex-diretor de Infraestrutura de Transportes do Dnit tentou se transmutar de vítima, mas a mentira não foi longe: na gestão dele a Delta multiplicou seus negócios.



(Foto:Valter Campanato/Abr)

 ANTI-HERÓI - Demitido após o escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes, Luiz Pagot, ex-diretor do Dnit, tentou forjar uma história para justificar sua queda, mas acabou desmentido.

Em julho do ano passado, uma reportagem de VEJA revelou que no Ministério dos Transportes funcionava uma organizada estrutura de corrupção. Em troca de contratos e liberação de faturas, empreiteiras eram instadas a recolher propina ao caixa do Partido da República, o PR, que comanda a pasta.

Dias depois da revelação, a presidente Dilma Rousseff demitiu toda a cúpula do ministério, incluindo Luiz Antonio Pagot, o então diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o órgão responsável pela construção e manutenção das estradas federais.


Pois esse mesmo Pagot, recentemente, tentou se transmutar em vítima, atribuindo sua demissão a um complô tramado pelo grupo de Carlos Cachoeira.

Em sua versão, o defenestrado perdeu o cargo não por seus defeitos, mas por suas qualidades. Ele teria contrariado interesses da construtora Delta, empreiteira que, se sabe agora, tinha Cachoeira como lobista.

Pagot chegou a insinuar que a reportagem teve origem em informações da quadrilha de Cachoeira.

O contorcionismo retórico de Pagot, como a mentira, tinha perna curta. Não foi longe.
Já se sabia que na gestão dele a Delta multiplicou seus negócios, transformando-se na maior prestadora de serviços do governo, com faturamento superior a 3 bilhões de reais em contratos de rodovias, muitos deles eivados de irregularidades.

Pagot foi um Papai Noel para a empreiteira.

Na semana passada, foram reveladas novas gravações telefônicas captadas pela Polícia Federal que desmontam a tese do ex-diretor do Dnit.

Os diálogos mostram que a quadrilha de Cachoeira estava muito preocupada com a demissão de Pagot, que após a divulgação das irregularidades foi convocado para depor perante uma comissão do Senado e ameaçava fazer revelações sobre o esquema de propina no ministério.

Em um dos diálogos, Cachoeira fala com o representante da construtora no Centro-Oeste que, se Pagot dissesse qualquer coisa sobre o esquema, estaria dando "um tiro no próprio pé".

Ele, de fato, se calou diante da comissão do Senado.

O ex-diretor do Dnit, segundo a Polícia Federal, participou de um jantar com o senador Demóstenes, Cachoeira e o dono da Delta, Fernando Cavendish, para tratar dos negócios da empreiteira.

Essa relação explicaria em parte o sucesso da Delta, que tinha em seu rol de "consultores" o ex-ministro José Dirceu, apontado pelo Ministério Público como o "chefe da quadrilha do mensalão".

A oposição quer convocar Pagot para depor.

Boa chance para ele, desta vez, contar tudo o que sabe.

*Por Daniel Pereira, Otávio Cabral e Rodrigo Rangel, na Veja on line