18 de outubro de 2012

Com cirurgias bariátricas paradas, MP-MT instaura inquérito para apurar denúncia de que os procedimentos não atendem a demanda e ainda são precários



O Ministério Público Estadual instaurou inquérito administrativo para investigar por que os obesos mato-grossenses não têm acesso àcirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo havendo médicos e um hospital credenciado como referência no atendimento, o Hospital Geral Universitário (HGU), em Cuiabá.

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A Associação Mato-grossense de Obesidade (Amo), autora da representação, no documento protocolado há duas semanas, pede que sejam apuradas a ausência e a precariedade do pouco serviço de saúde que se oferece aos obesos pelo SUS, além dos atrasos nos repasses. 

De acordo com a Amo, pelo menos 550 pacientes considerados aptos à cirurgia aguardam na fila, enquanto outros 250 fazem o tratamento preparatório. O problema é que o atendimento é feito sem qualquer perspectiva de agendamento para a cirurgia, que estava suspensa há sete meses e foi retomada na semana passada. 

Além da lentidão na regulação do procedimento, a associação denuncia que somente pacientes com até 130 quilos pode ser operados. 

Também reclamam que o material oferecido pelo SUS não é suficiente para fazer a operação com a segurança necessária. Na representação que protocolou no MPE, a presidente da Amo, Silvana Aparecida Gadani, relata que enquanto o SUS disponibiliza três cargas de grampos e um grampeador, os médicos exigem cinco cargas e o mesmo número de grampeadores. 

Essa situação gera um impasse que na maioria dos casos impede a realização do procedimento cirúrgico. Desde que as cirurgias recomeçaram somente três obesos foram atendidos. 

Em junho deste ano, após mobilização e protestos nas ruas, a Amo convenceu a Prefeitura de Cuiabá a contratar uma equipe médica para cirurgias bariátricas. 

Os profissionais, conforme acordo, seriam pagos pela Secretaria Municipal de Saúde (SME) para operar no Hospital Geral Universitário (HGU), os pacientes que estão na fila. 

As contratações aconteceram, mas as cirurgias não foram retomadas conforme a previsão contratual, que prevê o mínimo de oito procedimentos ao mês. O motivo agora seria a falta de materiais cirúrgicos como grampos e equipamentos, relata Silvana Gadani. 

O bla-bla-blá de sempre
O secretário municipal de Saúde Lamartine Godoy, se exclui da polêmica. À reportagem, ele disse que o que foi solicitado ao município está sempre cumprido, ou seja, a contratação e pagamento dos salários da equipe médica. “Se o SUS não oferece material não podemos fazer nada”, diz. 

Já a diretora geral do Hospital Geral, Maire Oliveira, diz que a cirurgias foram retomadas e devem prosseguir, porém apenas para pacientes de no máximo 130 quilos. Para aqueles com peso superior não há previsão de atendimento cirúrgico. 

Meire Oliveira observa que para atender outros pacientes seria necessário adquirir mesa cirúrgica, maca, camas, cadeiras de banho e de roda, colchões e outros equipamentos apropriados. O hospital, acrescenta, não dispõe de recursos para tais aquisições. Essas carências, assinala a diretora, são do conhecimento das autoridades da saúde pública do município e do estado. 

Esta semana, o promotor de Justiça da Cidadania, Alexandre Guedes começa a intimar os responsáveis pelos serviços de saúde pública para prestar depoimento. Diário de Cuiabá

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Vítima de queimaduras graves corre risco de infecção porque capital tem apenas oito leitos para atender todo MT, além de pacientes de estados e até países vizinhos



A explosão de uma lancha no Lago Manso este final de semana deixou muito mais do que dois feridos, um deles com 45% do corpo queimado. O acidente colocou em evidência a falta de estrutura do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do Hospital e Pronto-Socorro de Cuiabá, referência no Estado de Mato Grosso. (Foto: ...CAOS, CAOS, CAOS... (Foto: Outro paciente em estado grave no mês de junho, com 70% do corpo queimado, só conseguiu uma vaga no setor após seis dias. O paciente estava internado no box de emergência do Pronto-Socorro da cidade vizinha Várzea Grande, na região metropolitana da capital, com queimadura de 1º e 2º grau por todo o corpo. A ala do Pronto Socorro de Cuiabá é a única especializada em Mato Grosso, mas não consegue atender a demanda. O hospital atende 10 pessoas diariamente que são da capital e moram no interior do estado. Segundo a administração do hospital, a maior parte dos internados sofreu algum acidente com álcool, óleo e outro tipo de líquido quente)

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Com a disponibilidade de apenas oito leitos, o CTQ recebe um número maior de pacientes do que sua estrutura física consegue suportar. Sem ter onde ficar, as vítimas são tratadas nas enfermarias, fora da unidade especializada, ficando expostas a pessoas com diversos tipos de patologias. “Isso os deixa mais suscetíveis a pegar algum tipo de infecção e complicar o caso”, disse o diretor do centro, Henrique Lavosier. 

O diretor explicou que os pacientes não ficam na enfermaria por falta de tratamento ou cuidados médicos, mas porque não há lugar para estas pessoas receberem a atenção necessária no CTQ. “Atualmente nós estamos com aproximadamente treze pacientes vítimas de queimaduras, mas não tem lugar pra todos. Os riscos de uma infecção aumentam muito por eles estarem expostos a todo tipo de patologia na enfermaria”, esclareceu. 

O acidente em questão envolveu Francisco Pirajá Cardoso e o dono da lancha, que não foi identificado. Segundo a mãe de Francisco, Tereza Pirajá, a explosão aconteceu no sábado, quando os dois sentiram cheiro de gasolina na lancha. 

De acordo com ela, os dois desceram até o porão para ver o que estava acontecendo. O filho dela, Francisco, que se encontra no pronto-socorro em estado grave, ficou na parte inferior da lancha enquanto o proprietário foi ligá-la. “Foi ai que explodiu tudo. Um homem que viu o acidente nadou até o local e ajudou os dois. Um médico que estava lá os acompanhou por todo o caminho até Cuiabá. Mas é uma tragédia. Fica de alerta para todas as pessoas: quando sentirem cheiro de gasolina, abandonem a lancha”. 

Tereza contou que o atendimento ao seu filho foi ótimo, mas que a estrutura do pronto-socorro está precária. “Eles poderiam construir um hospital que realmente fosse referência no tratamento de queimados, mas enquanto isso os pacientes ficam lá correndo o risco de pegar uma infecção. A questão não é nem o acidente, mas sim não ter para onde os pacientes irem”. 

Francisco teve queimaduras de segundo grau nas duas pernas e no braço direito. Segundo Lavosier, a gravidade do caso está no fato de grande parte do corpo estar queimado, deixando o paciente mais vulnerável. 

A reportagem ligou para a Secretaria Municipal de Saúde e na assessoria do pronto-socorro de Cuiabá, mas até o fechamento desta edição, não obteve resposta.  Diário de Cuiabá