30 de maio de 2014

CADEIA É PARA OS FRACOS: Éder Moraes está livre da Papuda em Brasília


O Supremo Tribunal Federal (STF) expediu o alvará de soltura do ex-secretário de Estado de Fazenda, Eder Moraes (PMDB), preso no dia 20 de maio, durante a Operação Ararath, desencadeada pela Polícia Federal. O alvará foi encaminhado ao Departamento da Polícia Federal (DPF), em Brasília e consequentemente ao Centro de Detenção Provisória da Papuda, onde ele está preso.
Eder responde a dois mandados de prisão preventiva, um pelo próprio STF e outro pela 5ª Vara Federal de Mato Grosso. Por conta disso, o ministro Dias Toffoli somente assinou a revogação da prisão, na noite de ontem (29). Eder deve retornar a Cuiabá, nesta sexta-feira (30).
No despacho, Moraes está proibido de deixar o país pelo período de três meses e teve que entregar seu passaporte ao Supremo. Além disso, ele está impedido de manter contato com os investigados pela Operação, que somam 23 pessoas, dentre elas a própria esposa, Laura Tereza Dias Costas. Nas litas consta o governador Silval Barbosa (PMDB), o senador Blairo Maggi (PR), o procurador-geral de Justiça Paulo Prado, o promotor de Justiça do Gaeco, Marcos Regenold, o empresário Junior Mendonça, além de outros.
Eder, assim como Mendonça, é pivô da Operação, apontado como o principal articulador de todo esquema milionário, que envolve lavagem de dinheiro, incluindo pessoas do mais alto escalão político e empresarial do estado.

Maggi quer ficar fora das articulações

Sonia Fiori, repórter de A Gazeta


O Partido da República poderá ficar “órfão” nas eleições de 2014 em Mato Grosso. Isso porque o principal líder da agremiação, senador Blairo Maggi, poderá simplesmente abrir mão de entrar no embate como “apoiador”, conforme espera a direção estadual, sob o presidente, e pré-candidato ao Senado, Wellington Fagundes. Maggi, que está em Cuiabá desde quarta-feira (28), teria confidenciado para pessoas próximas seu total desalento com o meio político.
A legenda aguarda uma posição oficial do senador sobre aguardada reunião ampliada com a cúpula republicana para definir os rumos diante da proximidade do pleito. Enquanto isso, Maggi se resguarda, preferindo se manter em campo neutro, refletindo seu distanciamento do foco do partido, e ainda da base aliada, que poderá perder seu maior cabo eleitoral.
Ontem, o secretário geral do PR, deputado Emanuel Pinheiro, explicou que a sigla está de prontidão, esperando encontro com Maggi nos próximos dias. Coletiva à imprensa estaria sob análise, ainda sem confirmação. Eventual distanciamento de Maggi das discussões no bloco governista é posto na balança desde já entre líderes políticos que planejam novas estratégias. No Partido da República, a “revisão” do projeto também está sob análise.
Não está descartada uma divisão no grupo da situação. Tudo depende dos contornos a serem dados à proposta de projeto único, buscando uma candidatura de consenso entre os nomes postos, como do presidente do PSD, vice-governador Chico Daltro; o ex-vereador Lúdio Cabral (PT) e o ex-juiz federal, Julier Sebastião da Silva (PMDB). PT e PMDB estão alinhados em âmbito nacional. O PSD, dono de reconhecida força política no Estado, utilizará isso a seu favor, para defender o planos da legenda.
A citação do nome de Maggi na Operação Ararath provocou desconforto a ele, além de uma evidente repulsa no ambiente político. No inquérito que investiga crimes contra o sistema financeiro, é apontado que Maggi teria validado operações irregulares, realizadas pelo ex-secretário de Estado de Fazenda, Eder Moraes.