2 de novembro de 2014

Quando o Nordeste lutou para se separar do Brasil

FONTE: O Povo

As discrepâncias entre regiões no resultado da eleição provocaram onda de ofensas a nordestinos, das piadas de mau gosto ao preconceito sem máscaras. Como canal desse sentimento, gravuras do Brasil sem o Nordeste se espalharam nas redes sociais. O que hoje é brincadeira para propagar hostilidade e discriminação já foi parte de um projeto político para a região.

Ao longo de mais de 200 anos, houve possibilidade real de construir um território à parte em estados que hoje compõem essa parte do País. Correu muito sangue para evitar que isso acontecesse. A última delas deixou marcas inclusive no Centro de Fortaleza.

Do que hoje chamamos Nordeste - no que eram conhecidas na época como “províncias do norte” - veio uma das primeiras ameaças à unidade do País que ainda lutava para se consolidar como independente.

No fim de 1823, dom Pedro I dissolveu a primeira Constituinte do Brasil e outorgou uma constituição centralizadora, que tirava poderes das províncias. A revolta se espalhou pelo País, com ênfase em Pernambuco, onde havia ecos da revolução de 1817. Em 1824, eclodiu a Confederação do Equador, movimento separatista, antiabsolutista, cujo objetivo era criar uma república nas proximidades da linha do equador.

O Ceará nessa época era área de influência política pernambucana. As duas províncias haviam sido vinculadas até 1799. Desde os primórdios da colonização, o território pernambucano era importante polo da economia brasileira. Já a importância cearense era desde sempre periférica. Mesmo assim, o Ceará foi o principal aliado dos movimentos rebeldes que eclodiram no estado vizinho no começo do século XIX.
Além de Ceará e Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte aderiram à Confederação. Houve apoio também em Campo Maior e Parnaíba, no Piauí.

Os líderes da Confederação esperavam adesão de Alagoas - que até poucos anos antes era parte da província de Pernambuco - e Sergipe, que acabara de se emancipar da Bahia. Em Sergipe, o presidente da província, Manuel Fernandes da Silveira, acabaria deposto acusado de colaborar com os revoltosos.

A região que, por volta de meados do século XX, passou a ser chamada de Nordeste foi o centro da economia durante a maior parte do período colonial. Perdeu o protagonismo com a descoberta de ouro em Minas Gerais. Mas manteve papel crucial na agricultura, não só com a cana-de-açúcar, mas também com o algodão e o couro.

O café ainda começava a ganhar espaço na década de 1820, preparando-se para a explosão dos anos seguintes. Aquele “Nordeste”, portanto, tinha peso muito maior na economia nacional do que hoje. O processo de esvaziamento que aprofundaria contrastes regionais estava ainda no começo.

Durante a Confederação, a Câmara da vila de Campo Maior, atual Quixeramobim, chegou a declarar, em 8 de janeiro, destituído dom Pedro I e proclamar a República.

A reação ao projeto de dividir o Brasil foi furiosa. Foi contratado o mercenário inglês Thomas Cochrane, lorde do império britânico, herói das guerras napoleônicas, que servira a dom Pedro na repressão aos movimentos contra a independência. Em setembro de 1824, Recife se rendeu depois de um banho de sangue. O Ceará continuou a lutar. Vilas foram saqueadas e incendiadas. Cadáveres insepultos se amontoavam. A chegada de Cochrane a Fortaleza, em 1824, levou muitos revoltosos a se renderem.

No antigo Campo da Pólvora, atual Passeio Público, foram executados Padre Mororó, Pessoa Anta, Feliciano Carapinima e outros líderes. Por isso, o lugar é conhecido também como Praça dos Mártires. Houve ainda condenados ao degredo na Amazônia ou a trabalhos forçados em Fernando de Noronha. Foi o fim do sonho de uma república equatorial no Nordeste.

SAIBA MAIS
1. Desde os primeiros anos da colonização, o atual Nordeste foi alvo de disputa, cobiça e guerra. E Portugal esteve por um fio de perdê-lo. No começo do século XVII, após serem expulsos do atual Sudeste, franceses tomaram o que hoje é São Luís (MA). Expulsos, fundaram a Guiana Francesa.

2. Em 1624, os holandeses que tentaram tomar o Nordeste. Nas décadas de permanência, transformaram a história de Fortaleza e Pernambuco. 

LER


Confira a ata da sessão da Câmara da atual Quixeramobim que proclamou a República http://bit.ly/1qbPxfN

Novo plano de internet para celular fere lei, segundo especialistas

digitando celularO novo modelo de pacote de dados para a internet, que deve ser usado pelas operadoras de celular, pode caracterizar uma alteração unilateral de contrato e fere o Código de Defesa do Consumidor, segundo especialistas. Atualmente, quando o cliente ultrapassa o limite do seu plano, ele ainda consegue navegar com a velocidade reduzida. Mas, com a recente estratégia, a conexão será cortada. Para continuar acessando a web, terá que adquirir mais megabytes.
Para o membro da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-SP Ricardo Vieira, o importante é avaliar cada contrato e olhar se o acordo se trata de um pacote “limitado” ou “ilimitado”. “Teve uma oferta, propaganda, [então] tem que cumprir o que foi acordado. Quando o contrato está em vigor, não pode ser alterado, a não ser com anuência de ambas as partes”, disse ao R7.
Assim, por exemplo, se o contrato garante a navegação contínua, mas com velocidade reduzida, após ultrapassar o limite, então o corte significaria uma quebra do acordo. A advogada e pesquisadora do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) Veridiana Alimonti explica que a própria propaganda do “ilimitado” já configura um modelo de negócio “enganoso”.

ONU lança Dia pelo Fim da Impunidade de Crimes contra Jornalistas

jornalismoA Organização das Nações Unidas (ONU) comemora hoje (2) o primeiro Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas. Mensagens do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e da diretora-geral da organização para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Irina Bokova, foram divulgadas por ocasião da data, além da promoção, nos próximos dias, de um painel de alto nível com seminários, conferências e debates, em diversos países.
Segundo a Unesco, a data foi instituída em dezembro de 2013 e marca o assassinato de dois jornalistas, Gislaine Dupont e Claude Verlon, no Mali, em 2 de novembro do ano passado. Com o objetivo de criar um ambiente seguro para o trabalho dos profissionais dos meios de comunicação em todo o mundo, a ONU tem desenvolvido, nos últimos anos, um plano de ação, com o apoio da comunidade internacional e da sociedade civil.
As Nações Unidas chamam atenção para o número de jornalistas mortos nos últimos dez anos, que passa dos 700, e para o alto percentual, 90%, de impunidade dos casos de violência envolvendo profissionais da mídia. Em sua mensagem, Ban Ki-monn alerta que 17 jornalistas iraquianos foram executados somente no ano passado.

PT e PSDB devem travar verdadeiras ‘batalhas’ no Senado

No dia 1º de fevereiro do próximo ano, 513 deputados e 27 senadores eleitos e reeleitos tomarão posse no Congresso Nacional. A exemplo do que aconteceu nas eleições presidenciais, PSDB e PT devem protagonizar novos embates nos plenários e comissões das duas casas. No entanto, as principais ‘batalhas’ entre oposição – fortalecida com votação de Aécio Neves no segundo turno – e situação devem acontecer no Senado Federal. Isso se dará pela presença de lideranças fortes de ambos os lados. Além disso, cientistas políticos esperam que a oposição ao segundo mandato da presidente Dilma Rousseff seja mais forte na Casa, justamente onde a base do governo é mais estável.
Para o cientista político David Fleischer, o próprio papel do Senado de fiscalizar as ações do governo já constitui um cenário mais denso entre governista e oposicionistas. “O Senado vai ter importância grande em 2015, talvez maior destaque do que nos últimos 4 anos. O Senado vai ser calcanhar de Aquiles da Dilma no segundo mandato”, disse ele o R7.

Volta, Lula só em 2018

lula volta
Nas primeiras reuniões depois da vitória de Dilma Rousseff, parlamentares do PT desabafaram: as bancadas do partido passaram os últimos quatro anos afastadas do Planalto. E insistiram com o “Volta, Lula”. Bom, esse fica para 2018…

Fusão com o PPS

Processo que começa a ser discutido mais intensamente, em grande parte por esforço do presidente nacional do PPS, Roberto Freire, a fusão não é consenso dentro do PSB. Há integrantes do partido que a defendem, como forma de expandir a legenda e dar uma cara mais clara de oposição. Outros têm receio de que possa ser a desculpa que alguns integrantes, mais alinhados com o PT, procuram para desertar. “Não sei se o PPS seria uma opção muito agregadora para o PSB. Será que agrega atrair Freire, que nem se elegeu deputado em São Paulo?”, ponderou Carlos Melo do Insper.

Marco Antonio Carvalho Teixeira acredita que a fusão era mais provável com Eduardo Campos vivo que após a sua morte. “Hoje a fusão com o PPS seria um jogo de soma zero para o PSB, não vejo vantagem.” O PPS elegeu 10 deputados federais. Em 2010, havia elegido 12, mas a bancada já havia minguado a 7 até antes das eleições. O presidente nacional do partido, Roberto Freire, que vinha de seis mandatos consecutivos na Câmara, não conseguiu se reeleger. O PPS não tem representação no Senado, mas assumirá uma cadeira. José Antônio Medeiros é suplente de Pedro Taques (PDT), que foi eleito governador do Mato Grosso.

Futuro do PSB é incerto, avaliam especialistas

campos pSB
Abalado pela morte trágica do seu principal líder, Eduardo Campos, o PSB foi provavelmente o partido que mais sentiu as turbulências da campanha eleitoral de 2014 e é também a legenda cujo futuro é mais difícil prever. Neste momento, como afirma seu presidente nacional Carlos Siqueira, o caminho do PSB é o de uma “oposição de esquerda”. “Os eleitores nos colocaram na oposição e assim vamos nos manter”, disse o presidente nacional do PSB ao Estadão, serviço em tempo real da Agência Estado. “Neste primeiro momento, eles não têm muita alternativa a não ser se colocar dessa forma”, avalia o cientista político do Insper e colunista do jornal O Estadão de São Paulo Carlos Melo ao Broadcast Político, serviço em tempo real da Agência Estado. “A retórica tem que ser oposicionista, mas ao longo do ano que vem muita coisa pode acontecer”.
O PSB passou de seis para três governadores, mas conseguiu crescer a bancada no Congresso Nacional: foi de 24 para 34 deputados federais e de quatro para sete senadores. “O partido cresceu, mas tem um problema sério de direção. Há uma parte ligada ao ex-presidente Roberto Amaral e lideranças no Norte e Nordeste que são petistas, e tem a parte paulista, ligada a Márcio França, e a ala pernambucana que são próximas ao PSDB”, lembra Melo. Para ele, o partido pode até ficar próximo de outros na oposição a Dilma, como PPS e PSDB, mas corre risco de perder parlamentares que, por terem um alinhamento mais à esquerda, podem sentir que não estão mais ideologicamente representados e optar por trocar de legenda – o que é permitido pela legislação eleitoral. “Mesmo para especialistas, está muito difícil de prever o que vai acontecer com o PSB, só se tiver uma bola de cristal”.

Vice do PSDB diz que partido não incentiva atos contra Dilma

O vice-presidente nacional do PSDB e ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, disse neste sábado (1º) que nem a sigla nem a direção da campanha do senador Aécio Neves (MG) incentivam, organizam ou dão suporte às manifestações contra a presidente Dilma Rousseff (PT) em ao menos três capitais.
Para Goldman, um dos críticos mais vorazes do PT no partido, seria uma “irresponsabilidade” compactuar com esse tipo de ato. Ele admite, no entanto, que o país está com os ânimos inflamados. “Até por conta do tipo de campanha, muito suja, muito pesada, que o PT fez primeiro contra a Marina Silva (PSB) e depois contra o Aécio. Mas nem isso justifica um pedido de impeachment da presidente”, avaliou.

iPhone 6 chega ao Brasil no dia 14 de novembro

iphone preçoO iPhone 6 deve chegar ao Brasil no dia 14 de novembro. A data foi confirmada pelas operadoras Claro e TIM. Tanto o modelo com tela menor, o iPhone 6 de 4,7 polegadas, quando o iPhone 6 Plus, com tela de 5,5 polegadas estarão disponíveis. A Claro anunciou que, a partir de amanhã, dia 1º de novembro, os clientes poderão se cadastrar para obter informações sobre o lançamento.
A operadora não é a única que já trabalha com cadastro de interessados. A Nextel também já divulgou que fará uma lista com clientes que pretendam comprar o smartphone. A data de início do cadastro da Nextel, que deverá ser feiro no site da operadora, será o dia 7 de novembro.m A loja de varejo Fast Shop também enviou e-mail a seus clientes anunciando que o iPhone 6 está prestes a chegar às lojas. A loja oferece uma pré-inscrição aos interessados em seu website.
A operadora Vivo também aceita inscrição de clientes interessados. O cadastro deve ser feito em uma página especial da operadora. Apesar da informação sobre a data de lançamento, nenhuma informação sobre os preços foi divulgada. Anteriormente, rumores afirmavam que ele sairia a partir de 3.199 reais. Esse preço seria para um iPhone 6 com tela de 4,7 polegadas e 16 GB de armazenamento.

Resultado preliminar do Enem estará disponível em 27 de novembro

Escolas que tenham, matriculados, dez concluintes do ensino médio regular seriado e 50% de alunos participantes do exame terão acesso aos resultados do Enem de 2013 por unidade de ensino (foto: educacao.uol.com.br) A divulgação preliminar dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2013 por escola estará disponível em 27 de novembro, na página do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) na internet. Os procedimentos e critérios constam de portaria publicada nesta sexta-feira, 31.
Os resultados serão calculados e divulgados para a as escolas que tenham, matriculados, dez concluintes do ensino médio regular seriado e 50% de alunos participantes do Enem. Consideram-se concluintes os estudantes matriculados na terceira série do ensino médio, excluídos os do ensino não seriado, conforme os dados do Censo da Educação Básica de 2013. Como participantes do Enem são considerados aqueles que realizaram as quatro provas objetivas e a redação.
Os estabelecimentos cuja conclusão do ensino médio regular ocorra na quarta série devem encaminhar pedido específico de inclusão dos alunos concluintes nessa série. Os resultados do exame ajudam alunos, pais, professores, dirigentes das instituições e gestores educacionais na reflexão sobre o aprendizado no ensino médio e no planejamento de estratégias de melhoria da qualidade da educação.

Quatro nomes do PT saíram fortalecido com Dilma

Dilma Rousseff vai apostar em uma nova fórmula para se aproximar do PT em seu segundo mandato. A presidente elegeu ao menos quatro nomes que contam com sua confiança e dispõem de força em setores importantes do partido para administrar a negociação de bandeiras históricas da esquerda que serão alçadas pela sigla ao centro do governo federal.
Segundo a Folha de São Paulo apurou, Dilma reconhece que sua reeleição passou pela capacidade de mobilização do PT e que, por isso, deve fazer algumas concessões à legenda.De sua campanha, saíram fortalecidos para essa interlocução os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) e Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário), além do ex-governador da Bahia Jaques Wagner, que elegeu sucessor no Estado.
bahia_saopaulo_pt

Reforma política: com propostas de Dilma, sete partidos dominariam a Câmara

congresso-nacional-brasilia-20060713-size-598
Segundo O Globo, o termo “sopa de letrinhas”, tão usado para definir o Congresso Nacional, pode estar perto de perder o sentido. A alcunha, justificada pela profusão de siglas partidárias com assentos na Câmara, vai se tornar obsoleta caso sejam aprovadas duas dentre as muitas propostas da reforma política, defendida pela presidente Dilma Rousseff em seu primeiro discurso pós-reeleição. A Câmara dos Deputados eleita em 2014 conta com 28 partidos, que dividem 513 cadeiras.
Se aplicado à situação atual o fim da coligação para eleição de deputados, cinco partidos seriam automaticamente excluídos da casa. Em uma mudança ainda mais profunda, que incluiria o estabelecimento da cláusula de barreira, 182 cadeiras ficariam vagas, e apenas sete partidos permaneceriam com representação na Câmara (PT, PMDB, PSDB, PSD, PP, PSB e PR).

Estrelas da oposição em ascensão e os derrotados nas urnas

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) termina o ano em que disputou a Presidência da República com um patrimônio de 51 milhões de votos e o desafio de se manter como principal opção de seu partido para a próxima corrida ao Planalto, em 2018.O DEM do senador José Agripino (DEM), presidente da sigla vê suas bancadas no Congresso encolherem a cada eleição.
Ainda segundo a Folha de São Paulo, o desafio de atuar de maneira mais incisiva ocorrerá no momento em que a bancada do PSDB no Senado ganha nomes de peso. José Serra (SP), que travou por anos uma disputa interna com Aécio, assumirá sua cadeira no ano que vem.Há ainda Álvaro Dias (PR), que se reelegeu com a maior votação que um senador teve no país.
oposicao_brasil

Ano de 2015 promete iniciar com onda de fusões partidárias

Para garantir a sobrevivência política de algumas siglas ou fortalecer blocos governistas e oposicionistas, a onda de fusões partidárias promete iniciar 2015 em alta. Na base de sustentação de apoio ao segundo governo da presidente Dilma Rousseff, a principal manobra começa a ser feita pelo ex-prefeito de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab. Ele pretende recriar o Partido Liberal (PL), atrair parlamentares que estão insatisfeitos na oposição e, depois, fundir a legenda ao PSD. Para aumentar a sua musculatura, o recém-criado Pros tenta atrair o PDT e o PCdoB. Na oposição, mesmo com divergências e dificuldades impostas pelas regras eleitorais, existe ainda a possibilidade remota de uma fusão entre PPS, Solidariedade e PSB.
Até o momento, a estratégia mais avançada é a que foi traçada por Kassab, bastante cotado para assumir o Ministério das Cidades. O plano é pragmático e já está em curso. A recriação do PL é um mecanismo para driblar as regras eleitorais sem cometer ilegalidades de fato. Em 2011, quando fundou o PSD, muitos parlamentares queriam migrar para a nova legenda, no entanto, não havia segurança jurídica que garantisse o tempo de televisão para que pudessem concorrer nas eleições municipais de 2012. Às vésperas do prazo final, o TSE decidiu favoravelmente e determinou que o PSD teria direito ao tempo para a disputa do pleito.
O problema é que já havia se esgotado o prazo de filiação partidária, um ano antes da disputa eleitoral. Agora, uma resolução do TSE diz que uma nova agremiação não pode incorporar o tempo de propaganda de rádio e televisão da legenda antiga sem realizar a fusão. É aí que entra o plano de Kassab. Os parlamentares pulam para o partido novo, no caso o PL, e o mesmo se funde ao PSD, dando ao parlamentar os minutos tão desejados de propaganda eleitoral.

VERBA DE GABINETE Carlos Bezerra é o 1º em gastos

ALLINE MARQUES

Em ano de eleição, os deputados federais aproveitaram a estrutura de gabinete e as verbas para bancar algumas despesas ligadas à campanha. Eles priorizaram os gastos com gráfica, viagens, táxi aéreo e locação de veículos, além de serviços postais e divulgação da atividade parlamentar. O parlamentar com maior gasto dos últimos quatro anos foi Carlos Bezerra (PMDB), seguido de Valtenir Pereira (Pros), Eliene Lima (PSD) e Wellington Fagundes (PR).

O peemedebista já gastou até outubro deste ano R$ 1.657.466,48, sendo R$ 392 mil com a gráfica BSB, além de R$ 288 mil com a Moderna, empresa descrita como prestadora de serviço para fretamento de embarcação e locação de veículos. Com serviços postais, que são feitos sem nome e sem CNPJ, Bezerra pagou R$ 188 mil. A produtora Pantanal Filmes recebeu R$ 50 mil. A TAM Linhas Aéreas e a Gol receberam, na soma, R$ 131 mil.

Valtenir Pereira já utilizou R$ 1.575.927,12 do gabinete para arcar com alguns gastos como o de serviços postais que ocupou R$ 144 mil da verba. Com manutenção de um escritório político, ele gasta mensalmente R$ 5.364,97, e o acumulado dá pouco mais de R$ 111 mil. Outro escritório é descrito nos gastos, mas sem identificação, em que foram gastos R$ 37 mil. O parlamentar ainda gastou R$ 73,94 mil com a Amazônia Petróleo, empresa de Junior Mendonça, chefe do maior esquema de lavagem de dinheiro e financiador de campanhas políticas que resultou na operação Ararath. Com a TAM Linhas Aéreas, o deputado pagou R$ 96.750. Só que alguns gastos com passagens aéreas foram feitos sem identificação da empresa responsável pela emissão dos bilhetes e o total da despesa é de R$ 134.500 mil.

Eliene Lima foi o terceiro na ordem de gastos e, mesmo com um total de despesa no gabinete de R$ 1.498.403,92, ele não garantiu a reeleição. O maior gasto está relacionado com viagens. A S.L. de Souza Turismo recebeu do parlamentar R$ 272.275 mil com fretamento de avião e passagens. Além dela, a Interativa Agência de Viagens também recebeu R$ 132.343 mil. A Triad Informática, responsável pela manutenção do escritório, recebeu R$ 127.500. Com serviços postais, ele gastou R$ 120 mil.

O deputado Wellington Fagundes foi eleito senador e, apesar de ter montado uma estrutura maior de campanha, apresentou um gasto de R$ 1.272.768,08 e a maior despesa do gabinete foi com serviços postais, um total de R$ 255 mil. A TAM Linhas Aéreas recebeu dele R$ 88.250. O instituto de pesquisa Vetor foi contratado pelo valor de R$ 80 mil e a Antecipar Consultoria e Comunicação Estratégica fechou contrato por R$ 74 mil. Ele gastou ainda R$ 58.025 mil com gráfica e outros R$ 67.760 com a Auto Locadora Show Car.

Ságuas Moraes (PT) e Nilson Leitão (PSDB), que também foram reeleitos, apresentaram gastos menores nos gabinetes pelo fato de ter assumido tempo depois o mandato. No caso do tucano, ele assumiu o cargo em julho de 2011, após recontagem de voto. Ele entrou no lugar do petista, que só voltou para Câmara Federal após Homero Pereira deixar o cargo por problemas de saúde, em setembro do ano passado.

Leitão gastou desde então R$ 950.644,37, sendo R$ 125 mil com a Apolo Táxi Aéreo e mais R$ 103 mil com a Editora Gráfica Ronquim, além de R$ 96 mil com o Posto Trevão e R$ 33.500 com empresa de pesquisa e consultoria Real Dados. Com passagens através da Passaredo e TAM, ele pagou R$ 100 mil.

Em um ano, Ságuas gastou R$ 387.028,28. A empresa Abelha Táxi Aéreo foi a que mais recebeu do gabinete do parlamentar com R$ 66 mil e a Promo Gráfica prestou serviço no valor de R$ 32 mil. Em serviços postais, o petista gastou R$ 21 mil.

Júlio Campos (DEM) não disputou a reeleição e gastou R$ 1.090.586,64. O maior gasto foi com escritório Cavalcanti e Carvalho Advogados, com contrato de R$ 21 mil por mês, um total até outubro de R$ 260 mil. Além disso, ele gastou R$ 80.500 com Vida Locadora de Veículos e mais R$ 79.150 com Abraço Voo Táxi Aéreo. Com divulgação ele gastou R$ 57.800 pela empresa BCP Brasília Comunicação e Publicidade.


Sem disputar a reeleição, Roberto Dorner (PSD), que assumiu no lugar de Pedro Henry no fim do ano passado, gastou R$ 317.620,94 e, curiosamente, o principal gasto foi com a Unifor Segurança e Vigilância Particular no valor de R$ 38 mil. O Posto Trevão também recebeu deste parlamentar um total de R$ 24.165. Com a divulgação do mandato, ele gastou R$ 22 mil e com serviços postais, R$ 25 mil.

Mato Grosso revela contraste do governo Dilma

DIÁRIO DE CUIABÁ

As ações desempenhadas pela presidente Dilma Rousseff (PT) à frente do Palácio do Planalto nos últimos quatro refletiram no maior e no menor índice de votação da petista nos municípios do estado de Mato Grosso.

Enquanto ela chegou ao ápice de aprovação no município de Barão de Melgaço, com 76,61% dos votos, em Alto da Boa Vista perdeu disparado para seu adversário, o senador Aécio Neves (PSDB).

Esta última cidade foi a que apresentou maior índice de votação em prol do tucano tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições. No primeiro, inclusive, chegou a ser o município em que o senador teve o maior número de votos de todo o Brasil.

No segundo turno, ele garantiu 1.758 votos, o equivalente a 84,32% dos eleitores da cidade, contra apenas 15,68% da presidente petista, que angariou somente 327 votos.

Conforme o prefeito de Alto da Boa Vista, Liozipe Domingos Gonçalves (PMDB), a baixa aprovação de Dilma nas urnas se deveu ao episódio Marãiwatsédé.

A maioria das famílias expulsas da Gleba Suiá-Missú, que foi considerada terra indígena, reside no município. Por não serem índios, os moradores da gleba foram obrigados a sair da área, que se transformou em reserva indígenas Marãiwatsédé.

Marãiwatsédé é uma área de mais de 165 mil hectares entre os municípios de Alto da Boa Vista, São Félix do Araguaia e Bom Jesus do Araguaia demarcada pelo governo federal como terra indígena xavante, mas disputada também por posseiros estabelecidos na região.

Após longo processo judicial, a Justiça decretou a retirada dos posseiros com auxílio de forças militares nacionais, ação iniciada no final de 2012 e encerrada em 2013.

Ao fim, o governo se comprometeu a assentar as famílias dos pequenos produtores rurais desalojados. Em janeiro deste ano, parte dos posseiros expulsos chegou a tentar reocupar a área, mas sem sucesso.

A grande mágoa dos moradores é que foi no governo do PT que eles foram obrigados a deixar a área onde sempre viveram. Pessoas perderam tudo, crianças foram obrigadas a deixar sua escola e as casas, derrubadas pelos índios.

Além dessa perda, os moradores culpam o governo federal por prometer levá-los para uma área semelhante em outro lugar. Mas ficou só na promessa.

“A presidente Dilma tem muito serviço prestado aqui no município, mas este episódio superou tudo de avanço positivo que ela trouxe. Este processo todo começou no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas quem executou foi a presidente Dilma. Muitas famílias ainda estão amedrontadas e traumatizadas com tudo que aconteceu. O povo ainda continua desamparado. Sem dúvida, isto foi o fator que levou ela a não ter votos aqui no município”, pontua o prefeito.

Em contrapartida, em Barão de Melgaço Dilma obteve mais de três mil votos, garantindo 76,61% de aprovação. O senador tucano, por sua vez, teve 925 votos (23,39%).

O prefeito da cidade, Antônio Ribeiro Torres (PMDB), acredita que o alto índice de votação de Dilma no município se deve ao fato de muitas famílias serem beneficiadas do governo federal por meio de programas sociais como o Bolsa Família.

“Eu atribuo a vitória de Dilma em Barão ao atendimento da área social. Barão é um dos municípios mais carentes do Brasil. Os benefícios concedidos pelo governo federal atendem de mão cheia as famílias da cidade, que, na maioria das vezes, chega a ser a salvação deles”, conta.


Em Mato Grosso, a presidente petista saiu derrotada, tanto no primeiro quanto no segundo turnos. No primeiro, ela obteve 616.265 mil votos, contra 693.251 de Aécio. Já no segundo, ela garantiu 717.230 mil votos, enquanto o senador tucano angariou 864.999 mil votos.