5 de dezembro de 2014

Resenha do Filme “Rádio”

Por Dorjival Silva

Uma sociedade dividida entre o preconceito e a vontade de incluir pessoas que têm algum tipo de necessidade especial. É isso que mostra “Rádio”, filme produzido para fazer o público planetário entender o nível de discriminação das sociedades em relação ao portador de deficiência.

Confesso que só a partir deste longa-metragem passei a ter uma visão mais abrangente do grave problema conhecido por todos, mas nem sempre assumido socialmente. Não há mais como desdenhar para a situação que vem sendo vivida há séculos por pessoas detentoras de algum tipo de necessidade especial.

Rádio enfoca a questão com todas as propriedades. Mostra um jovem negro de família pobre, portador de pequena deficiência mental. Que tem uma mãe que não saber lhe dar com o problema. Melhor: parece até que esconde o filho da sociedade porque ele não é igual aos demais jovens do seu tempo.

O jovem que sai pelas ruas da cidade grande em busca de alguma coisa para fazer, não recebe uma oportunidade de ninguém. Digo: até o dia em que se encontra com um técnico esportivo que o simpatiza e procura meios para estreitar laços de amizade entre ambos. A princípio não é nada fácil. Mas o tempo se encarrega de distribuir segurança e tranqüilidade no jovem Rádio em relação ao técnico.

 A partir de então todas as coisas vão mudar na vida daquele jovem rapaz. Parece acender nele um raio de esperança e luz. A timidez dar lugar para o extrovertido. O perambulante ganha espaço no trabalho. A vida de um ser humano ganha novo rumo graças a uma oportunidade inclusiva.

 É verdade que a discriminação vai continuar. Emanando até mesmo de pessoas que deveriam dar o exemplo de cooperação e sensibilidade. Atletas famosos, diretores de instituições, famílias, etc., permanecem lutando para impedir a inclusão de Rádio.

 Mas na sua inocência de espírito vai em frente. Faz-se importante e útil. Conversa, brinca, dar de si mesmo para o bem de pessoas ditas normais. Os que discriminação dizendo que ele não tem capacidade nem mesmo para conviver com a sociedade, são justamente os teriam obrigação de ajudá-lo.

 Quando olho para tantas pessoas que só pelo fato de serem detentora de alguma necessidade especial estão sendo privadas de oportunidades me preocupo muito. Agora me pergunto o tempo todo: se Rádio conseguiu superar suas deficiências por que tantos outros não podem também? É claro que para isso, seria necessária uma consciência amadurecida por parte de toda sociedade.

 Assim vejo que o tratamento para pessoas portadoras de necessidades especiais deve ser evoluído a cada dia, no mundo e cm mais pressa no Brasil. Chega de discriminação e preconceitos tolos em relação a esses maravilhosos e também inteligentes seres humanos. Sejam incluídos nos diversos setores sociais porque também tem competência e responsabilidade para exercer o que lhes dor confiado.

 Abaixo o preconceito!

O autor é graduado em Pedagogia e Pós-graduado em Pedagogia Empresarial
dorjival@gmail.com

ARTIGO: Análise crítica sobre o currículo

Por Dorjival Silva

O conhecimento que obtive ao ler o artigo “O Campo do currículo no Brasil: os anos noventa” do professor Antônio Flávio Barbosa Moreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ) foi o que se seque:

O professor abordou o tema mostrando-o como um assunto que está muito longe de ser acabado e concluído, enfocando pelo menos três blocos temáticos: a teorização em currículo, o ensino de currículo na universidade e a prática na escola.

Sobre o primeiro tópico ele diz que embora muitos especialistas brasileiros tenham tratado do tema do ponto de vista teórico, a tal ponto de produzir um avolumado número de livros e artigos publicados, a questão prática ainda está bem a desejar.

Ele vê positividade nessa “produção” dos estudos relacionados ao currículo e sua importância quando executado com praticidade. O problema estaria na questão em que os atuais currículos não estão propiciando maior compreensão e impacto em seu objeto.

São apontados alguns fatores para esse problema. Um deles seria o fato “desse” currículo ainda não estar englobando em seu bojo questões básicas de alcance sociais. Ainda não teria saído dos muros da escola para atender também o meio onde a escola está inserida.

Sem objetividade, e do jeito que ainda está, não estaria resolvendo o problema do fracasso escolar e muito menos atendendo a comunidade geral.

Sobre o ensino do currículo o autor expõe que ele deveria ser mais aberto e concebido como ‘artefato cultural no campo da produção cientifica’, coisa que não está ainda acontecendo. Nessa concepção, o currículo deveria ser concebido com a interferência das diferentes manifestações culturais. Só assim, ele atenderia uma proposta mais abrangente.

A verdade é que o currículo ainda é um objeto intra-classe. Localizado, com preocupações restritas. O que deixa de atender na formação dos alunos em sua identidade extra-classe.

Sem essa integração e interação com a diversidade temática, o currículo não passa de uma teoria vazia. Perde sua finalidade e ainda prejudica o alvo que se propõe alcançar e modificar que o sujeito aprendente.

No meio universitário os currículos praticamente se perderam na inocuidade. Não atendem aos professores e muito menos aos aprendentes por causa de sua desatualização. Citando (Silva, 1995) Antônio Flávio Barbosa Moreira diz que o currículo deve envolver o ambiente em permanente mutação, englobando o que se passa na experiência educacional.

Argumentando sobre o que disse Feldeman (1996) o autor reforça que o currículo pode ser debatido teoricamente, mas somente isso não basta. É necessário o seu desenvolvimento prático. Falar do assunto somente entre especialistas não resolve a questão. Tem que se partir mesmo para a prática pedagógica. E isso não vem acontecendo.

Quando aborda a questão da prática na escola a crítica que se faz é que não está havendo investimento em novas idéias que possam revolucionar o processo da aprendizagem. Por causa dessa situação, escolas, professores e especialistas permanecem no trivial, convencional, tradicional, nas práticas costumeiras.

O currículo por bem concebido que seja para alguns, não tem atendido seus objetivos, pois já chega defasado na escola.

Finalizando, o autor expõe a palavra de um especialista entrevistado dizendo: “tudo que acontece na escola é currículo, tudo que a criança traz é currículo”. O que estaria faltando para o currículo de fato atender ao que se propõe seria trabalhar sua própria reestruturação e organização.

O objetivo número um seria alcançado: a eliminação do famigerado fracasso escolar.

O autor é graduado em Pedagogia e Pós-graduado em Pedagogia Empresarial
Email: dorjival@gmail.com