4 de julho de 2015

Temer deverá pedir “pinico” e deixar a articulação política do governo Dilma

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Amparada na frágil relação entre PT, PMDB e governo, a permanência do vice-presidente da República, Michel Temer, na articulação política do governo está por um fio, e começa a dar sinais de que o rompimento é iminente. Os peemedebistas elevaram o tom e ecoaram as palavras do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de que Temer deve deixar o cargo de coordenador da relação política do Planalto com o Congresso. Apesar do afago que partiu da Casa Civil, o PT submergiu. Ainda assim, considera um desastre se o vice-presidente, de fato, abandonar a função estratégica de tentar conter os insatisfeitos da base.
-“Será um carimbo de que o nosso governo naufragou de vez”, resumiu um cacique petista, sob condição de anonimato. Independentemente da movimentação de Temer, o partido tem dito que deixará o governo após as eleições municipais do próximo ano, com a possibilidade de lançar candidatura presidencial própria em 2018.

Dilma agora resolveu “lascá” os mais pobres

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Quem contava com o abono salarial para reforçar o orçamento familiar e quitar dívidas no segundo semestre deve se preparar. O governo decidiu que 10,6 milhões de trabalhadores — que receberam até dois salários mínimos por pelo menos 30 dias no ano passado —, nascidos entre janeiro e junho, só poderão sacar o dinheiro a partir do primeiro trimestre de 2016.
Essas pessoas são as que mais sofrem com a inflação, que, nos seis primeiros meses do ano, acumula alta de 6,28%. Elas destinam 80% da renda para comprar alimentos, que ficaram 7% mais caros de janeiro a junho, conforme o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). A decisão do Executivo surpreendeu os analistas, uma vez que essa camada da população garantiu boa parte dos votos que reelegeram a presidente Dilma Rousseff.
A decisão do governo divide com a população com renda mais baixa o custo do ajuste fiscal. Com a arrecadação em queda, a equipe econômica tem dificuldades para cumprir a meta de superavit primário de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Para reforçar o caixa do Tesouro Nacional, o Executivo definiu, no entanto, que os gastos com o benefício se limitariam a R$ 10,1 bilhões em 2015. Nas contas do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), seriam necessários R$ 18 bilhões para custear o abono para os 23,4 milhões assalariados, entre julho e outubro, como ocorria até o ano passado.