13 de julho de 2015

Servidores são acusados de desviar R$ 6 mi em horas extras nunca feitas

DEU NO FANTÁSTICO



O Repórter Secreto está em Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, para mostrar como é que de grão em grão o ratinho encheu o papo.
Madrugada do dia 1º deste mês, interior de Santa Catarina. Equipes da Polícia Civil se preparam para operação Última Hora. Sente a lista de acusações contra a turma que vai ser presa e indiciada.
“Peculato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, estelionato, corrupção ativa, corrupção passiva e atos de improbidade administrativa, milhões”, destaca o delegado.
Quantos milhões?
“A gente acredita que o rombo seja aproximadamente R$ 6 milhões. O rombo inicial, porque a investigação está apenas começando, e é apenas a pontinha do iceberg. Vai ocorrer muito mais”, diz o delegado.
É por isso que o repórter Eduardo Faustini vai acompanhar a operação para saber: “Cadê o dinheiro que tava aqui?”
Seis e meia da manhã em Dionísio Cerqueira, cidade catarinense que fica na fronteira com a Argentina. Justamente porque a cidade fica na fronteira, todo cuidado é pouco, por isso um helicóptero reforça a operação.
A Polícia Civil chega na casa do secretário municipal de Saúde. O secretário se chama João Carlos Stahl, e daqui a pouco você vai saber o motivo da prisão dele. Dele e do resto da turma.
Também vão em cana a secretária de Assistência Social, Marilene Limbérguer, a diretora do hospital municipal, Deliziane dos Santos e Luiz Fernando Angelli, do setor de compras e licitações da prefeitura.
No que ficou sabendo da lambança, o prefeito Altair Rittes, do PT, apareceu na delegacia. Quando entra, não fala nada. Quando saiu, é confrontado pelo repórter Eduardo Faustini.
Fantástico: Por que esse seu pessoal foi preso, prefeito?
Prefeito: Segundo o delegado, por causa de hora extra paga indevidamente. Mas tanta coisa acontece por esse mundo afora. Querer me dizer que vai prender pessoas por hora extra.

Você que é funcionário de firma, ou tem gente na família que bate ponto, sabe que hoje em dia hora extra não é brincadeira. Em boa parte das empresas, hora extra só em último caso, não é isso? Pois bem. Então veja por que essa operação se chama "Última Hora".
“O esquema das horas extras, ele funciona já há muito tempo no município, e ele consistia no pagamento fixo de 60 horas mensais para servidores que são simpatizantes ou apadrinhados. O prejuízo estimado é em torno de R$ 6 milhões nos últimos anos”, diz Ana Laura Perônio, promotora de Justiça - SC.
O esquema também envolvia laranjas. “Esse pagamento, ele acontecia pra servidores que são comissionados e que há uma vedação expressa de recebimento de horas extras, e para que esses servidores comissionados pudessem receber esses valores, era feito através de laranjas”, conta a promotora.
O prefeito afirma que muitas horas extras foram pagas de acordo com a lei. “Tem pessoas que recebiam, mas ficavam de plantão, de sobreaviso 24 horas. Será que isso foi considerado?”, diz o prefeito.
Muita coisa foi considerada. Por exemplo: os servidores que confirmam a falcatrua. O vídeo acima mostra a conversa entre duas funcionárias municipais. O papo foi gravado com autorização da Justiça.
Funcionária1: O delegado me ligou. Tu acredita que alguém aí do hospital foi denunciar? Daí eu falei para ele: só que essa pessoa que foi fazer essa fofoca não imagina que todo mundo ganha hora extra.
Os servidores indiciados, até agora são cerca de 20, também confirmam o esquema. Em um depoimento, uma funcionária pública afirma que recebia 60 horas extras por mês e admite que nunca trabalhou fora do horário normal. Tem mais. O delegado que comandou a operação está seguindo o rastro de mais dinheiro.
“Há indícios de fraudes em licitações. Se esses indícios forem comprovados, certamente o valor ultrapassará esse valor inicial”, diz Eduardo Mattos, delegado da Polícia Civil – SC.  
É como ele mesmo disse no início da reportagem: a pontinha do iceberg.
Em outra ligação, um alto servidor da prefeitura diz que quer que um empresário local participe de uma licitação de equipamentos médicos para a coisa toda ficar com aparência legal. “Eu queria pelo menos dois envelopes, três, porque ele tem duas ou três empresas, sabe? Para ele mandar a participação de duas empresas, cotar nem que seja o preço máximo. Senão nós vamos ter que fazer outro processo de novo”,  
O prefeito Altair Rittes diz que ainda não tomou conhecimento das acusações: “Eu precisava ter sido ouvido para poder justificar cada caso”.
No dia da operação, ele teve apenas uma conversa rápida com o delegado. Disse que se sentia triste.
“Isso que eu falei para o delegado, a minha tristeza e minha insatisfação da gente fazer um governo excepcional e ver um espetáculo desse no teu município, quando o espetáculo devia ser pelas coisas boas que a gente vem fazendo”, diz o prefeito.
Em Dionísio Cerqueira, tem eleitor que vê a cidade de outro jeito. “Você vai no posto de saúde, não tem um remédio, não tem um comprimido, o hospital é jogado às traças. Tem barata, tem tudo quanto é coisa naquele hospital”, diz Leda Istris, cozinheira.
“Já tem roubo que chega no Brasil e quem paga somos nós”, diz Darci Lisboa, reflorestador.
Todos os presos já foram soltos. Vão responder em liberdade. Nenhum deles quis dar entrevista. E o prefeito Altair Rittes ficou cinco dias afastado por determinação da Justiça e já reassumiu o cargo.
“É um prejuízo inestimável. Valores que deixam de ser ocupados em saúde, em educação, em benefício de toda população, e não apenas daqueles apadrinhados políticos”, diz a promotora. 
Por isso, senhor prefeito, se o negócio é hora extra, já passou da hora de o povo saber: cadê o dinheiro que tava aqui?
http://g1.globo.com/fantastico/quadros/Cade-O-Dinheiro-Que-tava-Aqui/noticia/2015/07/servidores-sao-acusados-de-desviar-r-6-mi-em-horas-extras-nunca-feitas.html

Inadimplência de idosos é a que mais cresce no cenário atual

Em tempos de recessão, desemprego em alta e salários comprimidos pela inflação resistente, poucos conseguem escapar das dívidas e das contas em atraso. Hoje, um quarto da população do país engrossa os cadastros de devedores inadimplentes, apontam os serviços de proteção ao crédito. Segundo o Banco Central (BC) só para o setor bancário os brasileiros devem R$ 1,4 trilhão. Mas, afinal, quem é esse devedor? A cara da dívida é híbrida. Enquanto os jovens são os responsáveis pelo maior volume de endividamento, é entre os idosos que ele mais cresce.
As pendências atribuídas a idosos entre 85 a 94 anos, contudo, foram as que mais cresceram na comparação anual, com variação de 10,18%. Na faixa dos 65 aos 84 anos, a inadimplência aumentou 9,10%, o segundo resultado anual mais alto da pesquisa. “Desde o início da série histórica, essas dívidas têm altas taxas de crescimento. Houve uma mudança no padrão de qualidade de vida”, destaca Marcela. “Os mais velhos estão gastando mais e têm mais facilidade de tomar empréstimo consignado com as aposentadorias.”

Para quê derrubar Dilma?

Para quê derrubar Dilma? (Foto: Arte: Antonio Lucena)
Chega de farsa! A oposição não quer derrubar Dilma. Prefere vê-la arrastar-se, exangue, até o último dia do seu mandato. Para quê correr o risco de substituí-la já?
Para dar lugar ao vice do PMDB? Para ser obrigada a fazer com a economia o que Dilma está fazendo – ou coisa pior?
Para que Lula tente se recuperar em paz até a eleição de 2018? A essa altura, Lula torce para que Dilma renuncie. Logo…
Todo o poder a Dilma! Ou melhor: o mínimo de poder a Dilma! E o máximo de desgaste a ser compartilhado por ela com Lula e o PT – os três no “volume morto”, segundo o próprio Lula.
Recente pesquisa do IBOPE constatou que o “lulismo”, hoje, sustenta-se mal e mal nas áreas mais pobres do Nordeste. E mesmo ali está em processo de encolhimento.
Se uma nova eleição presidencial em segundo turno tivesse sido disputada na semana passada por Aécio Neves (PSDB) e Lula, Aécio teria vencido com folga por 48% a 33%.
Perderia para Lula apenas no Nordeste e entre os eleitores de menor renda e escolaridade. Na faixa dos que ganham mais de cinco salários mínimos, Aécio massacraria Lula por 72% a 28%.
Dilma obteve quase dois terços dos votos válidos (descontados os nulos e brancos) nos municípios em que o PT venceu no segundo turno as eleições presidenciais de 2006, 2010 e 2014.
Agora, nesses mesmos lugares, Lula atrairia 52% dos votos contra 48% de Aécio. Um empate técnico, a levar-se em conta a margem de erro da pesquisa que ouviu em todo o país 2.002 eleitores.
Eu sei, você lembra de 2006 quando Lula se reelegeu apesar de baleado pelo escândalo do mensalão. Ao invés de pedir o impeachment dele, a oposição achou melhor deixá-lo sangrar – e deu no que deu.
Compreendo o seu temor. Dizem que a História só se repete como farsa. Não posso garantir. Sei, porém, que 2006 pouco tem a ver com 2015. Ou nada.
Lula é Lula, Dilma, é Dilma. Lula tem carisma e é bom de gogó. Dilma não tem, e quando fala é quase sempre um desastre. Antológica a saudação à mandioca. Bem como à “mulher sapiens”.
Em 2006, Lula era popular, ainda recém-chegado ao poder. Os brasileiros concederam a ele e ao PT um desconto. Foi moleza derrotar o insosso Geraldo Alckmin. Tudo mudou desde então.
Menos de 10% dos brasileiros aprovam o desempenho de Dilma. Ela jamais será esquecida como uma pura invenção de Lula. E também por ter mentido à farta para se reeleger.
A crise econômica potencializou a crise ética que está na raiz da crise política. Essa se agravará caso a Lava Jato culmine com a eventual prisão de Lula. Somente ele sabe o que fez. Para estar com tanto medo… Sei não.
Só sei que pelo menos um partido e um político não têm queixas de Dilma: o PDT de Carlos Lupi e Eunício Oliveira (PMDB-CE), líder do PMDB no Senado.
Depois de apontar o governo Dilma como o mais corrupto da História, Lupi negociou com ele a demissão de Manoel Dias, ministro do Trabalho indicado pelo PDT. Irá trocá-lo por um deputado mais sujeito aos seus caprichos, digamos assim.
Há menos de um mês, Dilma compareceu em Brasília ao casamento da filha de Eunício com Ricardo Fenelon Júnior, advogado há três anos. Uma festança!
Na última segunda-feira, Fenelon acabou presenteado por Dilma com a nomeação para a diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil.
O que ele entende do assunto? Nada. E precisa? Basta ser genro de senador aliado de uma presidente débil. Débil no sentido de frágil.
Por Ricardo Noblat

Senador diz a relação PT?PSDB virou FLA X FLU

O senador Cristovam Buarque (PDT) acredita que só um entendimento entre PT e PSDB será capaz de diminuir a crise política no país. Para ele, a presidente Dilma Rousseff “deveria adotar uma postura humilde e buscar o entendimento”. “Temos que sair deste Fla x Flu que é o PT x PSDB. Este País não aguenta mais esta disputa. E qual a maneira de encarar isso? Com o entendimento, entre eles, inclusive”, defendei Buarque, numa ampla entrevista ao Correio Braziliense.

Jornal denuncia “manipulação das provas” na operação Lava Jato


Nova denúncia, publicada na Folha de S. Paulo, aponta um suposto abuso que teria sido cometido pelos investigadores na operação Lava-Jato. Segundo a reportagem, o delegado Mário Fanton, que foi a Curitiba realizar uma sindicância sobre o grampo supostamente ilegal, denunciou pressões recebidas de colegas, lotados no Paraná, para abafar o caso.
No relatório, Fanton citou explicitamente o delegado Igor Romário de Paula, que tem se colocado à frente da Lava-Jato, a quem acusou de querer “manipular as provas”.

Dinheiro da Petrobras pagou prostitutas de luxo

Além de financiar a compra de helicópteros, lanchas e carros importados, o dinheiro desviado da Petrobras pelo esquema de corrupção investigado na Operação Lava Jato também foi usado para pagar serviços de prostituição de luxo com “famosas” da TV e de revistas para diretores da estatal e políticos, segundo relatos de delatores às autoridades do caso.
A história foi explicada ao Ministério Público e à Polícia Federal pelo doleiro Alberto Youssef e o emissário dele, Rafael Angulo Lopez, após eles terem sido questionados sobre expressões usadas nas planilhas nas quais registravam o fluxo do dinheiro do esquema de corrupção.
De acordo com os controles dos dois delatores, só em 2012 cerca de R$ 150 mil foram gastos para financiar a contratação das garotas, algumas delas conhecidas pela exposição em programas de TV, capas de revistas e desfiles de escolas de samba. Colaboradores explicaram que todos os valores associados aos termos “artigo 162″ e “Monik” nas planilhas foram destinados ao pagamentos de prostitutas que cobravam até R$ 20 mil por programa.