10 de maio de 2017

O que o jato que levou Lula a Curitiba tem a ver com o mensalão?

O jatinho que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de São Paulo para Curitiba na manhã desta quarta-feira está registrado em nome de uma empresa de Walfrido Mares Guia, ex-ministro do petista, que já foi alvo de investigações da Polícia Federal. A Samos Participações, com sede em Belo Horizonte, chegou a ter seus sigilos bancário e fiscal quebrados durante as investigações do chamado “mensalão mineiro”, operado por Marcos Valério de Souza, o mesmo do mensalão petista, que estouraria anos depois.
A história dos dois mensalões, como se sabe, é um curioso ponto de contato entre o PSDB e o PT. O primeiro beneficiou a campanha do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas, em 1998. E o segundo, menos de uma década depois, serviu para comprar, com recursos ilícitos, apoio parlamentar ao governo Lula. Ambos tinham Marcos Valério como operador.
Walfrido dos Mares Guia, o dono do jato usado por Lula, é outro ponto de convergência entre os dois casos: de aliado histórico dos tucanos, ele passou a amigo dileto de Lula após o petista assumir a Presidência da República, em 2003. Durante as investigações do mensalão mineiro, a Polícia Federal encontrou indícios de que a Samos, a empresa de Walfrido em nome da qual o jatinho Citation está registrado, injetou recursos no esquema operado por Marcos Valério.

Justiça mantém depoimento de Lula para hoje e veta gravação

O ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Félix Fisher negou recurso da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e manteve o interrogatório marcado para esta quarta-feira (10), na Justiça Federal do Paraná.

A defesa do petista queria que o processo, instaurado no âmbito da Operação Lava Jato, fosse suspenso para que os advogados tivessem acesso total a documentos da Petrobras anexados aos autos (estima-se que o arquivo tenha mais de 100 mil páginas), além de mais três meses para análise desse material.

O ex-presidente ainda pode recorrer do indeferimento do habeas corpus, mas não a tempo hábil de interferir no depoimento marcado para 14h de hoje em Curitiba. Dessa forma, o primeiro depoimento que Lula dará pessoalmente ao juiz Sergio Moro está confirmado.

Justiça Federal condena homem que usou diploma falso da Unic

O juiz da Quinta Vara da Justiça Federal em Mato Grosso, João Moreira Pessoa de Azambuja, condenou o réu Renato Acássio Pinheiro da Silva a dois anos de prisão, a serem cumpridos desde o início em regime aberto, e ao pagamento de 10 dias de multa, por uso de documento falso.

Renato Silva confessou ter usado diploma falso da Universidade de Cuiabá (Unic) para solicitar inscrição no Conselho Regional de Educação Física. A sentença é do dia 3 de abril e atendeu ação movida pelo pelo Ministério Público Federal (MPF),

Por ser réu primário, sua pena acabou convertida no pagamento de uma multa fixada em R$ 937 e na prestação de serviços à comunidade durante o prazo de, pelo menos, um ano.

De acordo com a sentença do juiz federal, Renato foi à UNIC se informar sobre o curso de graduação em Educação Física quando foi abordado por uma pessoa que lhe ofereceu a venda de um diploma falso.  

Fracassa ato monstro convocado pelo PT e MST. Menos de 10% do público esperado vai a Curitiba defender Lula

Há cerca de um mês, o PT, MST, CUT e outros movimentos sociais e sindicais controlados pelo partido prometeram levar 100 mil pessoas para um ato monstro" em Curitiba no dia do depoimento do ex-­presidente Lula ao juiz Sérgio Moro. 

Quinze dias depois, baixaram as estimativas para 50 mil militantes. Há uma semana, os aliados de Lula já haviam abandonado a expressão "Ato monstro" e anunciavam um número mais modesto, estimado em cerca 30 mil pessoas. Faltando poucas horas para o início do interrogatório de Lula, pouco mais de 6 mil pessoas chegaram a Curitiba para prestar solidariedade ao petista.

 A maioria formada por sem terra acampados em ocupações na região do Paraná, trazida em ônibus fretados pelo MST. Já o número de militantes do PT de raiz é praticamente inexpressivo. Os poucos que vieram, foram "contratados" na periferia de Curitiba mesmo, em troca de diárias que variam entre R$ 80,00 e R$ 200,00.

Segundo um dirigente do partido, o fracasso do ato monstro do PT foi provocado em parte pelo gesto do ex­presidente Lula, que entrou com vários pedidos de habeas corpus na Justiça para tentar escapar do interrogatório. "Sem a certeza de que Lula viria para depor, muitos simpatizantes do partido desistiram de vir", justificou o dirigente petista. 

Membros da Secretaria de Segurança do Paraná também se mostraram decepcionados com a baixa adesão ao ato monstro do PT. Foi montado um gigantesco esquema de segurança para conter os ânimos de petistas mais exaltados, mas ao que tudo indica, uns dois carros do batalhão de choque da Polícia Militar serão suficientes para conter os gatos pingados espalhados pela cidade.