1 de setembro de 2019

As adversidades enfrentadas por quem pleiteia eleição para cargo público


Deve haver um mistério, uma mágica, um segredo ou alguma coisa do inferno (rsrs), que surge horas após uma pessoa se manifestar com a intenção de disputar algum cargo público no Brasil.

A pessoa vai vivendo numa boa. Trabalhando, comendo, bebendo, curtindo a amizade das pessoas do seu meio social, e de repente, após o anúncio que irá disponibilizar seu nome para tal pleito eleitoral, e bruscamente tudo muda.

Em muitos casos, será a própria família a responsável por fazer as primeiras tentativas para enterrar os planos do pré-candidato. Será essa parte da família os cabos eleitorais do insucesso do bem intencionado pleiteador.

No meio social, facilmente serão identificados os olhares maldosos, as piadas de mau gosto, quando não, espíritos mais agressivos e cruéis.

Aqueles que não têm interesse naquela pessoa eleita, começam a preparar dossiês da vida particular dela. Com informações que nem mesmo ela sabe da sua própria história.

Coisas das cavernas e supostamente praticadas na escuridão, uma a uma virão à luz. Se foi um bom filho, bom irmão, se trapaceou alguém, quantos relacionamentos afetivos teve, como se comportou ou se comporta socialmente, etc.

Quem tem a intenção de se candidatar a algum cargo público, deve saber primeiro que sua vida será vasculhada pelo avesso e exposta nas conversas de bar, nas praças, nos lares, nas escolas, onde tiver rodas de pessoas.

A coisa é tão séria que mesmo quando os adversários não encontram nenhum motivo ou razão que justifique uma caprichada puxada de tapete, eles inventam.

Alguém apropriadamente disse que “quando o pré-candidato tem rabo de palha, logo os adversários tocam fogo; e quando não tem, eles inventam e tocam fogo do mesmo jeito.

Criminosamente, os adversários farão tudo para deixar o pré-candidato em maus lençóis perante a opinião pública. Eles farão o inimaginável para todos o verem como o pior dos seres humanos. Tudo  isso porque eles têm interesse em manter os quadros políticos em todas as esferas ocupados por eles mesmos, amigos ou parentes. É a briga pelo poder. 

É briga de cachorro grande. 

Caro leitor. A coisa é séria mesmo. A impressão que se tem é que absolutamente ninguém, de familiares a amigos, colegas, etc., querem que você um dia seja eleito para um cargo público e dê sua parcela de contribuição à sociedade.

Mas, quer um conselho? Não desanime! Muitos foram eleitos quando todas as possibilidades pareciam inexistentes. Autor: Dorjival Silva

O senador me filiou mas eu nunca fui filiado ao seu partido

Senador Jonas Pinheiro (In memorian) e o blogueiro Dorjival Silva (2002)

Em setembro de 2000, cheguei para morar em Mato Grosso, e pouco tempo depois, fui convidado, como jornalista, a ocupar a assessoria de Imprensa da prefeitura de Brasnorte.

Tempo em que me senti muito honrado ao fazer parte do governo da então prefeita Isolete Correa Rodrigues, liderança política que até hoje, continua minha amiga.

Pois bem. Por intermédio de Isolete, que era naqueles tempos a maior liderança política municipal do então Partido da Frente Liberal (PFL), conheci o reeleito senador da República (2002) Jonas Pinheiro. O grande Jonas Pinheiro.

Numa conversa rápida que tivemos no aeródromo de Brasnorte, ele foi logo me perguntando se era filiado a algum partido.

Respondi-lhe: “Senador, quando morava no Rio Grande do Norte (meu estado de origem), andei me filiando ao PFL. Mas, isso faz muito tempo. Nem seu se realmente ainda pertenço ao partido por lá, visto ter transferido meu domicílio eleitoral para Brasnorte”.

“Pois se não é filiado, faço questão que se filie hoje mesmo no nosso partido. Eu mesmo irei abonar sua ficha de filiação”, disse o senador.

Ao chegar na cidade, ele pegou de sua bolsa uma ficha e disse: “Preencha-a com todos os seus dados”!

Sem demora, fiz o que ele sugeriu. Ao entregar a ficha em suas mãos, o senador a assinou e disse-me que a partir dali eu era também um pefelista.

Fato é que Jonas Pinheiro guardou no meio de sua papelada aquela minha ficha de filiação e somente anos depois, é que tomei ciência que nunca cheguei a ser filiado ao PFL. Não fiquei sabendo o porquê. Teria perdido aquela fichinha? Ou não a repassado para a presidência do diretória da agremiação local? E se o presidente local recebeu a fichinha e não oficializou minha filiação? Por que teria feito isso?

Não foram poucas as oportunidades que acompanhei o senador nas visitas que ele realizava constantemente ao município de Brasnorte, região noroeste. Sempre me sentindo como um filiado do partido de Jonas.

Em 9 de fevereiro de 2008, aos 67 anos de idade, o senador nos deixou passando para outro plano. Não sem antes, registrar um abraço e as (supostas) boas-vindas ao PFL, que tempos depois passou a se chamar de DEMOCRATAS (DEM).

Ainda hoje questiono o fato de ter sido e não ter sido oficialmente filiado ao PFL, antes Arena e atualmente DEM.

Verdade. Nunca terei essa resposta. Mas, segue a vida. Com lembranças boas do senador.