PF identifica 50 pistas clandestinas usadas pelo narcotráfico em Mato Grosso


Pelo menos 50 pistas clandestinas para aviões de provável uso do narcotráfico foram encontradas pela Polícia Federal em Mato Grosso somente em 2015. Todas em fazendas particulares de difícil acesso. 

Essas pistas são utilizadas por quadrilhas especializadas nesse tipo de crime para pouso e decolagem de aeronaves de pequeno porte cheias de entorpecentes. 

O delegado federal Marco Aurélio Faveri, do setor de combate ao narcotráfico, disse ao site G1MT, que essas 50 pistas estão todas localizadas na região de fronteira com a Bolívia e no Pantanal mato-grossense. 

Faveri afirma ter aumentado o uso desse tipo de avião no transporte de cocaína e derivados, mas se nega –– como é praxe em operações da PF –– a dar informações mais detalhadas sobre o mapeamento das áreas e as cidades-alvo dos narcotraficantes. 

“Nota-se que nos últimos meses houve um crescente número dessa modalidade de crime, em que os assaltantes obtêm aeronaves para trazer a droga. E não apenas em Mato Grosso, como também em diversos estados”, frisa o delegado. Ele informa ainda que os aviões, em sua maioria, são roubados ou comprados pelas empreitas criminosas por até R$ 700 mil. 

“Antes, eles praticavam o crime com aviões próprios, o que facilitava a identificação e fiscalização. Atualmente roubam de vítimas que estão próximas à fronteira, até mesmo para facilitar a fuga e o deslocamento para o país vizinho. Aí retornam com a droga para vender no Brasil”, explica. 

Faveri destaca a dificuldade do combate ao tráfico internacional de entorpecentes na fronteira com a Bolívia e o quanto equipamentos de tecnologia avançada estão ajudando a melhorar o monitoramento das atividades criminosas, especialmente o aparecimento de novas pistas. 

Também dificulta e muito a superespecialização que anda sendo efetivada em torno desse tipo de crime. Pra se ter uma ideia, há quadrilhas especializadas apenas em intermediar a venda e compra de aeronaves entre traficantes e traficantes ou “novos empreendedores”. Um dos casos recentes envolveu o grupo que acabou matando o policial federal Mário de Almeida Mattos em um tiroteio durante uma operação realizada em Sinop (cerca de 500 quilômetros ao norte da capital) para, justamente, frear a ação de uma dessas quadrilhas. 

Um dos homens presos logo após o tiroteio e morte do agente contou à PF que eles e o restante do grupo de cinco homens havia ido roubar o avião no aeródromo sob encomenda, para repassá-lo aos clientes traficantes por R$ 281 mil. A veracidade, ou não, da história está sendo investigada pela PF em inquérito aberto após o crime. 

Além do caso envolvendo a morte do agente, um Cessna teria sido subtraído desse mesmo aeroclube, no dia 15 de abril, e vendido por R$ 190 mil. Os autores desse roubo seriam os mesmos da tentativa frustrada pela PF que acabou desembocando no tiroteio fatal. 

Outra ocorrência do tipo envolveria um pequeno avião encontrado em uma plantação de algodão em Rondonópolis (a cerca de 220 quilômetros ao sul da capital) após uma suposta queda na Reserva Ambiental Carimã, a mais de 50 quilômetros de Rondonópolis. Ninguém foi encontrado, ninguém pediu ajuda. Para a PF, há sinais suficientes de que o avião usado no transporte de drogas foi obrigado a fazer um pouso forçado na região em que foi encontrado. 

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