11 de dezembro de 2007

As Garças Negras


O professor tangaraense Wilian Xavier encaminha poema de sua lavra para publicação neste espaço. É uma obra de arte.

Chegamos hoje
Não sei que dia e nem que ano
Nunca me preocupei com isso
Vivia livre
Comia quando tinha fome
Dormia quando tinha sono
Fazia amor quando me apaixonava
Andava quando me sentia preso
Parava para sentir a brisa
Bebia água nos rios quando tinha sede
Agora faço o que me manda
Quando trabalho
Vejo as garças brancas
Elas vêm de manhã cedo e se vão ao anoitecer
Todos os dias
Nunca vejo as garças negras
Será que elas também estão como eu?
Só podem voar quando eles querem?
Será que elas estão nas gaiolas?
Desde quando nós chegamos não vimos uma garça negra
Será que só as garças brancas podem voar?
- Vamos, vamos deixem de conversa, trabalhem
E o sol vai partindo
E a revoada das garças brancas
Deixa uma pergunta
Será que elas voltam amanhã com alguma garça negra?
Ao amanhecer elas estão de volta
Olha, olha, elas estão de volta
Mas não há nenhuma garça negra
Será que as garças negras não existem?
E passaram anos e anos
Plantios e plantios
E as garças negras não vêm
Será que nessa terra não tem garças negras, feitor?
Uma enorme gargalhada
- Garças negras, vamos parem com essa conversa
Garças negras!

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