23 de abril de 2010

OPERAÇÃO HYGEIA: Polícia Federal conclui a primeira fase do inquérito

As investigações já resultaram no indiciamento de 46 pessoas

TÉO MENESES - A GAZETA

A Polícia Federal concluiu a primeira fase de investigação da Operação Hygeia, que apura desvios de R$ 51 milhões na Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Os três inquéritos que já resultaram no indiciamento de pelos menos 46 pessoas foram enviados ao juiz da 1ª Vara Federal em Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva.

De acordo com a Superintendência da Polícia Federal, os inquéritos foram enviados na terça-feira (20) à Justiça, que encaminhará as investigações ao Ministério Público Federal (MPF).

Caberá, então, ao procurador da República Mário Lúcio Avelar denunciar ou não os envolvidos, o que permitirá a instauração de um eventual processo.Mário Lúcio deve denunciar todas as pessoas indiciadas pela PF.

Os indiciamentos apontam a prática de pelo menos nove crimes (formação de quadrilha, estelionato, fraude em licitações, apropriação indébita, lavagem de dinheiro, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva e prevaricação), mas a delegada Heloísa Albuquerque não descarta mais indiciamentos e o surgimento de novos crimes. Mais informações sobre o assunto não foram divulgados pela Polícia Federal porque as investigações correm em segredo de Justiça.

O escândalo levou os três dirigentes do PMDB acusados de envolvimento com os desvios a optar pelo afastamento do partido. A decisão alivia um pouco a legenda diante da fraude investigada pela Polícia Federal na operação Hygeia e era vista como a única opção para os filiados peemedebistas.

Comunicaram o afastamento do PMDB o secretário-geral do diretório estadual, Rafael Bastos, Carlos Miranda, tesoureiro da sigla, e José Luiz Gomes Bezerra, empresário e sobrinho do deputado federal Carlos Bezerra.

O comunicado foi feito na terça-feira (20) diante do fato de que muitos filiados vinham cobrando um posicionamento oficial da cúpula peemedebista.

A cobrança partiu até do governador Silval Barbosa, que teme ter a pré-candidatura à reeleição prejudicada com o escândalo, já que a imagem do grupo ligado a Bezerra é vinculada ao partido diante do fato que o dirigente comanda a sigla há quase duas décadas em Mato Grosso.

O presidente da sigla, Carlos Bezerra, prefere se comunicar depois de concluídas as investigações.

O PMDB vivia uma situação difícil porque, para punir os filiados, teria que cortar na própria carne, já que os três acusados são ligados a Bezerra. O presidente do partido em Cuiabá, Clóvis Cardoso, admite que alguns filiados já haviam conversado sobre a necessidade de se discutir institucionalmente o assunto.

Escândalos - Depois de descobertos desvios através da operação Hygeia, o Ministério Público Federal (MPF) divulgou ontem que o ex-prefeito de Apiacás, Luis Carlos Rabecini, e mais quatro pessoas (Manoel Vivela de Medeiros, Ronildo Pereira de Medeiros, Silvio Lopes e Antônio José de Carvalho) também são acusados de desviar recursos da Funasa.

Eles teriam desviado R$ 125 mil que deveriam ser aplicados na compra de medicamentos e inseticidas para o controle da malária e outras doenças endêmicas no município.

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