29 de agosto de 2011

TANGARÁ DA SERRA: Crise política e administrativa entra na 2ª década

REDAÇÃO: DIÁRIO DE CUIABÁ

Um dos municípios de maior potencial econômica enfrenta dificuldades

As recentes crises que assolam Tangará da Serra seriam motivadas por falta de políticas públicas e de uma administração mais responsável. Nesta semana, continuará a sessão sobre a cassação do prefeito Júlio César Ladeia (PR), o vice-prefeito José Jaconias da Silva (PT) e mais quatro vereadores, conforme relatório da Comissão Processante criada pelo Legislativo.

Para o cientista político João Edisom de Souza, a crise acontece há aproximadamente 12 anos, nos últimos três mandatos. “[Ex-prefeito, Jaime] Muraro também foi afastado do cargo, em uma situação parecida com a que acontece hoje. Ele saiu, assumiu o vice, depois o presidente de Câmara. Mas não é volta do passado [como disse Ladeia sobre o atual gestor]. Até porque o passado de Tangará é muito recente. Uma década e meia não é voltar ao passado. Além disso, Muraro nunca deixou de ter influência para dizer a volta do passado. Pode não ter cargo eletivo, mas esteve esses anos no município”, destacou.

Na opinião dele, independentemente de quem assuma o poder, as características dos prefeitos locais são as mesmas. “Eles pensam exatamente iguais. Têm uma visão voltada para o próprio umbigo”. Entretanto, apesar das “idas e vindas” de gestores, a tendência é a classe política do município se unir para tentar resolver os conflitos. “Nessas cidades novas, os pioneiros ainda estão vivos. Eles tomam muito para si os problemas, e a população ainda os procura”.

Morador há 20 anos de Tangará, o especialista em administração Rui Alberto Wolfart afirma que a situação política local é semelhante à de outros municípios brasileiros. “É uma situação que mostra a fragilidade dos partidos políticos, que são formados por feudos e não têm renovação, oxigenação”.

Ele conta que falta a política de Tangará, que possui mais de 83 mil habitantes, uma democratização partidária e essa alternância só ocorre quando não houver mais caciques políticos.

“Existem mais de 30 partidos registrados na Justiça Eleitoral, que são formados por pessoas oportunistas, que fragilizam a política. Há muito abandono das políticas públicas ao município para o desenvolvimento regional. A Seplan [Secretaria de Estado de Planejamento] abandonou a oportunidade de se fazer um eixo harmônico aqui. As regiões Oeste e Centro-Oeste do Estado estão abandonadas. Sem apoio nenhum, os produtores da região estão usando pastos degradados para fazer plantio nas áreas”.

Sobre a atual gestão, o cientista político João Edisom explica que o prefeito em exercício, o presidente da Câmara Miguel Romanhuk (DEM), quer terminar o mandato iniciado por Ladeia sem grandes alardes. “Ele quer fazer uma passagem sem muita dor”. Além de Ladeia e Jaconias, podem perder os cargos os vereadores Celso Ferreira (DEM), Haroldo Lima (DEM), Genilson Kezomae (PR) e Paulo Porfírio (PR), ex-secretário de Obras do governo do prefeito republicano.

Os políticos são acusados de participarem de desvios de recursos da saúde, promovidos pela Oscip Idheas. As acusações, que recaem principalmente a Ladeia e Jaconias, envolvem contrato da entidade sem licitação, não coibir que as irregularidades sejam realizadas, o não encerramento do contrato após as primeiras denúncias de desvio, entre outros.

Demissões na indústria elevam desemprego em Tangará


Tangará da Serra registrou mais demissões do que contratações no mês de julho. A informação é do Ministério do Trabalho e Emprego. A cidade fechou o mês com um saldo negativo de 165 desempregados a mais. O principal vilão da balança do emprego tangaraense foi o setor da indústria de transformação.

Na indústria de transformação foram 424 demissões contra apenas 189 contratações. Já setores como construção civil, comércio, serviços e agropecuária contrataram mais e ajudaram a equilibrar a balança. Mesmo assim o número de demissões em julho ainda foi maior do que de admissões.

Apesar dos números negativos do mês julho, a avaliação de 2011 ainda é positiva. Quando levamos em consideração os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados de janeiro até julho o saldo de Tangará da Serra é positivo. Neste período a cidade gerou 513 empregos novos. Os setores que mais contrataram este ano foram de serviços e agropecuária.

O volume de demissões registrado em julho foi atípico. O setor de indústria de transformação, que puxou para cima o número de demissões na cidade, engloba os frigoríficos.

Esta semana (Semana Passada) o DS publicou a informação da agência de atendimento do Ministério do Trabalho em Tangará da Serra confirmando que somente de uma empresa do setor teria havido mais de 300 ex-funcionários solicitando seguro desemprego. Para confirmar isso o sindicato da categoria informou ter homologado mais de 350 demissões de apenas uma empresa. Redação Diário da Serra