9 de março de 2012

Olha o baixo clero aí, gente!

A reação da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados tem, é claro, a ver com o poder exagerado nas mãos do PT e as eleições municipais deste ano. É óbvio que os peemedebistas temem um ataque sem dó nem piedade dos petistas às suas bases eleitorais. Mas não é apenas isso. Muito antes pelo contrário. Não foi à toa que o vice-presidente Michel Temer (PMDB) foi obrigado a virar porta-voz deles. Também são alvo de queixas do baixo clero os caciques do partido, gente como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e os líderes do governo na Casa, Romero Jucá (PMDB-RR), sem falar nos do Senado, Renan Calheiros (AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (RN). A reclamação é de que a cúpula leva tudo o que quer do Palácio do Planalto e a turma do andar de baixo fica chupando o dedo. Faz sentido.

A reação foi inspirada na atitude do PP na substituição do então ministro das Cidades Mário Negromonte, que saiu reclamando de “fogo amigo”. Não foi sem razão, como ficou claro na mudança. Para seu lugar foi o então líder do partido na Câmara dos Deputados, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Como se diz, o famoso quem, mesmo? Para o lugar de Ribeiro na liderança foi outro “famoso”, Arthur Lyra (PP-AL). O exemplo do PP, que conseguiu emplacar seus mais legítimos integrantes do baixo clero, do chão de plenário, contaminou outros partidos da base.

Mas foi no PMDB que a vitória da turma mais surtiu efeito. Exatamente por causa do poder exagerado da cúpula peemedebista, que garantia aos articuladores políticos do governo controle absoluto dos votos e das bancadas do partido. Não foi à toa que a reação, antes restrita à Câmara, chegou agora também ao Senado. E está apenas começando. É só esperar para ver.

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