A velha história de que um homem que fica com muitas mulheres é garanhão, mas a mulher que tem mais de um homem é “puta” não está ultrapassada. A sociedade, por mais moderna que esteja, ainda aponta o dedo de forma diferente diante de uma situação como a descrita. O estudo da professora reforça uma observação natural da sociedade, que, no fundo, sabe da diferença de tratamento, mas a ignora. “A mesma palavra que para uma mulher é uma violência, para o homem vira um elogio”, explica Valeska.
Um exemplo mais claro é o termo “vagabunda”. Chamar uma mulher do adjetivo, de acordo com os valores culturais da sociedade, é o mesmo que xingar de “piranha” ou “puta”. Está ligado ao comportamento sexual ativo. Para o homem que é xingado de “vagabundo”, a conotação é bem diferente. Significa fracasso, vida à toa, sem trabalho, pobre. Até ofende, mas não tanto quanto verbalizada a uma moça. “Os xingamentos refletem valores. Nunca é dito aleatoriamente. Tanto que na pesquisa, em todas as faixas etárias e sociais, disseram que o pior xingamento para uma mulher é ‘puta’. Ou seja, existe uma intenção de controle sexual das mulheres. O ideal de mulher é a do recalque. Uma cultura machista”, avalia a professora.
Caráter e beleza
Na segunda categoria de palavrões (veja É você!), as piores palavras de calão dirigidas ao sexo feminino são “farsante”, “mentirosa”, “egoísta”, que, segundo a pesquisadora, demonstram traços de caráter relacional. Em terceiro, entram os traços físicos. “O pior é chamar a mulher de gorda. Assim, fica claro que o ideal de beleza é a magreza”, ressalta. Enquanto isso, “gordo” nem entra na lista e xingamentos aos homens. Terrível é ser chamado de “veado”, “bundão” e “pobre”. Atacar a eficácia sexual também prevalece, ao serem citadas as definições “pinto mole” ou “pinto pequeno”.

0 Comentários