17 de abril de 2008

Isabella

Trata-se de mais um caso macabro que se junta a tantos outros, em que a sociedade precisa ter aparelhamento dos órgãos institucionais para que os responsáveis sejam punidos à medida que a lei brasileira permite. Isso, por que, qualquer que seja a pena, não faz justiça a tamanho descalabro.

Tudo vira meio um show. Imprensa escreve, televisão faz diagnóstico e apresenta diversas versões. O rádio faz o mesmo. Falta à imprensa apenas a busca de manifestação de parlamentares, os verdadeiros responsáveis pela mudança das leis.

Quase todos os brasileiros já presenciaram ou têm conhecimento de casos de violência em família. Pais e mães espancam filhos às vezes até na rua, na presença de todos. Essa omissão precisa de um basta.

Quando os vizinhos querem interferir para evitar excessos, nem a polícia, nem a justiça dá respaldo suficiente para que os envolvidos sintam-se seguros. E essas tragédias vão se sucedendo, sem entrar no mérito se o procedimento de investigação está correto e se foi o casal matou mesmo Isabella.

Tradicionalmente o Brasil costuma ser o último país em resolver problemas graves, as medidas para diminuir os índices de violência maior do que qualquer guerra vai demorar. Algumas medidas serão impostas pela sociedade, ainda que tardias.

Uma será a necessidade de extinguir a progressão de pena para todos os crimes. Acabar com os benefícios de saídas temporárias. Quem julgar as penas muito drásticas precisa optar por não cometer crime. Simplesmente não tirar os bens dos outros, não caluniar, não agredir.

Ou faz e paga por tudo isso, de forma decisiva sem atenuantes, sem benefícios.

No caso específico da Isabella, essa menina foi trucidada por algum monstro, tendo ou não vínculo familiar. Caso tenham sido o pai e a madrasta, são cínicos, porque além da monstruosidade do crime, ainda escrevam uma carta declarando intenso amor.

E, mesmo que tenha sido o casal, e busque apenas meios escusos de enganar a Justiça, recai sobre eles a certeza de que mentem para o mundo, mas não para si mesmos.

Cabe ao capenga Congresso Nacional aprovar leis capazes de punir de forma tão rigorosa que o pretenso assassino saiba que pode matar alguém, mas a sua pena será próxima de quem morreu, vez que nada é pior do que a morte.

Enquanto o matador sabe o curto tempo que resta a sua vítima, essa, faz planos inocentes para toda uma vida. O mínimo para quem tira a vida de alguém seria a prisão perpétua. E os defensores de penas brandas, que não seja ao custo da vida dos outros.

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