30 de agosto de 2011

O negro e a escola

Os professores têm dificuldade para combater o racismo em sala de aula. A falta de formação e de materiais didáticos voltados para esse fim são causas preponderantes. A resistência também pode ser observada em questões históricas ligadas à cultura afro-brasileira e à africana, das quais os professores têm dificuldade de assimilação.

A opinião da professora Francisca Vilani de Sousa, ao ministrar um módulo do curso Práticas Discursivas de Igualdade Racial, promovido pelo Programa Conexões de Saberes da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), é baseada em pesquisas recentes, que apontam para um nível - ainda elevado - de preconceito contra o aluno negro.

 De fato, a escola nunca foi preparada - como deveria - para conviver com as diferenças, optando pelo faz-de-conta. O professor é parte disso. A própria palestrante, em sua fala, evita chamar os estudantes negros de negros, optando pelo termo afro-descendente. Não seria uma forma silenciosa de motivação racista? É preciso observar que o preconceito não se apresenta apenas em forma chalaça picante ou brincadeiras "inocentes".

A proteção, com uso de termos politicamente corretos, parece promover a divisão de cores e raças. Por que chamar o negro de afro-descendente? O negro seria uma agressão? Temos aí um equívoco gravíssimo. Da mesma forma, não menos grave, apresenta-se a "cota para afro-descendentes" nas universidades públicas brasileiras.

Segmentação dispensável, que acaba funcionando para alargar o fosso entre as tribos humanas. Entrar na universidade com o selo de cota passa o sentimento menor do oportunismo, à medida que os "brancos" têm o acesso através de capacidade do saber.

Os que os negros - pobres, diga-se - precisam é de acesso à escola pública de qualidade, a partir da raiz, para chegar ao patamar superior preparados para assumir os seus espaços. As cotas são excludentes, na verdade. O tema é bem mais profundo, evidentemente, e não se limita à desconstrução da ideologia do branqueamento, até porque no Brasil a discriminação social é tão grave quanto o preconceito racial.

AUTORA: Franciele Caroline Silva
Licenciada e bacharelada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Mato Grosso (UNEMAT). E-mail: fcsbiologia@yahoo.com.br

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